Empresário ofereceu stock a funcionários e carenciados

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Brasileiro vive em Portugal desde 1999 e tem tido uma intensa atividade profissional

Luiz Amaral é proprietário de três restaurantes no centro comercial La Vie e, quando se viu obrigado a fechar, decidiu doar o seu stock. Apesar do contexto, a esperança é de recuperação

Em março do ano passado, quando a pandemia obrigou a fechar portas, Luiz Amaral, proprietário de três restaurantes no centro comercial La Vie, decidiu oferecer o stock de perecíveis aos funcionários e a Joaquim Sá.
O brasileiro não baixou os braços e decidiu criar uma nova marca, o Bella Mama Mia’s. Mas se a reabertura foi o reavivar da esperança depois de tempos de incerteza, em que foi preciso pagar os salários de forma faseada, uma semana depois da reabertura dos restaurantes um caso positivo num familiar de um dos funcionários levou a encerrar os estabelecimentos nas Caldas durante mais dez dias.
“A motivação foi novamente abaixo”, assume o empresário, que, no segundo confinamento, se viu obrigado a fechar o Queen Café, no centro da cidade. Agora o caminho é de recuperação, passo a passo.
O empresário tem atualmente cinco restaurantes (três dos quais nas Caldas) e emprega 28 pessoas no total (20 no centro comercial da cidade).
Natural de Guaraná, Luiz Amaral está em Portugal desde 1999. Tinha, então, 26 anos e o Brasil estava em crise, com pouca oferta de trabalho. “Decidi arriscar porque tinha amigos da minha cidade cá e pela facilidade da língua”, conta.
Chegou para Oeiras, com o intuito de trabalhar nas obras, mas aquele setor também não vivia um bom momento e, por isso, escolheu trabalhar numa sapataria, onde ficou três meses.

Luiz Amaral chegou ao nosso país em 1999. Nas Caldas emprega 20 pessoas

Seguiu-se a primeira experiência na restauração, no Sópeso, em Lisboa, de onde foi convidado para gerir dois restaurantes no Algarve. Cinco anos mais tarde voltou para a capital, para geladeiro na gelataria IceIt, no centro comercial Colombo. Veio depois uma experiência numa casa de massas, onde ganhou o gosto por esta cozinha. “Daí fui convidado para o Queen Mama’s”, recordou. Mais tarde, veio para as Caldas para gerir o Queen Mama’s e o Gourmet Zone.
“Em 2016 os meus patrões acabaram com os restaurantes nas Caldas e decidi ficar com eles”, explicou. Seguiu-se o investimento na Hamburgueria Estação, que abriu com um sócio, na Guarda e depois nas Caldas. Posteriormente abriram o Queen Mama’s no Porto e em Torres Vedras. Tinham seis restaurantes e empregavam 40 pessoas.
Em março de 2020 viu-se obrigado a fechar os restaurantes. “A pandemia baralhou o negócio, foi necessário reduzir o pessoal”, explicou. O stock de ovos, vegetais, massas já cozidas, pão e outros produtos, distribuiu-o pelos funcionários e entregou a Joaquim Sá, que apoia os carenciados na cidade com refeições quentes. Gestos que fazem a diferença.