Maria João Lourenço cria marca própria de cosmética sólida

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Empreendedora local, que foi campeã europeia de bodyboard, criou uma marca de produtos sustentável e com preocupações ambientais

Caldense aposta forte na área da cosmética sustentável e sólida e que respeita o ambiente

Maria João Lourenço foi campeã europeia de juniores de bodyboard, mas, apesar de ter deixado a competição, continua a fazer tubos perfeitos e, aos 29 anos, criou uma marca de produtos cosméticos sólidos, com preocupações ecológicas. Tudo porque o meio ambiente e a poluição dos oceanos são temas que a continuam a preocupar.
Formada em Economia e, mais tarde em Gestão, a caldense trabalhou, nos últimos anos, para importantes marcas de cosmética como a L’Oréal ou Pierre Fabre, proprietária da Avène. Ainda hoje, “arrepia-se” ao pensar nas embalagens de plástico de utilização única e o desperdício que geram, em geral, os produtos convencionais.
“Cerca de 80% de um champô ou de um condicionador convencional é água!”, disse a caldense, que chama a atenção para o facto de andarmos a transportar “toneladas de água pelo mundo em embalagens plásticas. Simplesmente não é eficiente…”, alerta.
Tendo em conta as suas preocupações, Maria João Lourenço começou a experimentar produtos alternativos. Um esforço que “não deu em nada”, pois a maioria dos ditos mais ecológicos “não tinham a mesma eficácia de um cosmético tradicional”. Ainda assim, a experiência serviu de gatilho para começar o seu próprio projeto de “personal care”. Apesar de ter consciência que que não vai mudar o mundo, defende que é possível “ter produtos de cuidados pessoais que também cuidam do planeta”.
Em 2020 contactou especialistas, fornecedores e fabricantes (as fórmulas são da marca), criou a [PH]ACT, tendo lançado, em março de 2021, três champôs sólidos (seco, normal/oleoso e com coloração) e um condicionador, também sólido.
“A aceitação aos produtos tem sido ótima!”, assume a caldense, que vende online e tem vindo a aumentar as vendas.
A empreendedora acabou por sair da L’Oréal por uma questão de “conflito de interesses” e foi trabalhar para uma farmacêutica, onde tinha emprego a tempo inteiro e tem várias áreas da [PH]ACT em outsourcing, desde o design, os social media até à logística.

Azeite luso e spirulina açoreana
Os produtos da [PH]ACT têm na sua composição azeite luso e spirulina, uma microalga rica em proteínas oriunda dos Açores, e todas as caixas são feitas em cortiça e em papel certificado (reciclável e reciclado).
Os clientes são do território nacional e Maria João Lourenço também já está a dar os primeiros passos na internacionalização, vendendo, nomeadamente, para clientes no Reino Unido.
Recentemente, criou também um sabonete esfoliante, uma barra hidratante e ainda um champô para crianças, a pedido dos seus clientes. Os produtos custam, em média, entre 4,5 euros e os 12,95 euros.
No Natal passado, Maria João Lourenço lançou todos os produtos em formato “mini” para as pessoas poderem experimentar.
E quais são as vantagens deste tipo de produtos? “A cosmética sólida é muito mais concentrada logo usa-se menos quantidade”, disse a caldense, acrescentando que o peso e o volume desempenham um papel fundamental na eficiência do transporte. Como os produtos são mais leves, requerem menos espaço, logo resultam numa pegada de carbono reduzida, um aspeto cada vez mais valorizado pelo público.

Novo mercado em ascensão
Nos últimos seis meses houve um “boom” de marcas de cosmética sólida, pelo que este “é um mercado que está ascensão”, disse Maria João Lourenço, frisando que até as grandes marcas também já estão predispostas a apostar no setor.
Interessada em dar a conhecer a marca e em ter alguns pontos físicos de venda, a caldense foi a um mercado de influencers, em Sintra, e vendeu “300 champôs em dois dias!”, o que revela que há apetência por parte do público por estes produtos, sobretudo entre as novas gerações.
A empreendedora está a iniciar um novo trabalho, numa start-up de suplementos desportivos com desenvolvimento de produto locais e focados na performance de atletas.
“Daqui a cinco anos creio que irei trabalhar a tempo inteiro na minha marca. Até lá, sinto que é cedo para sair do mundo corporativo”, afirmou a antiga campeã de bodyboard que, sempre que pode, aos fins de semana, continua a “deslizar” nas ondas da Foz ou a passear o cão na praia. Nas mãos, costuma trazer o lixo que encontra no areal. “É o mínimo que se pode fazer…”, rematou a caldense, fã das atividades ao ar livre e que valoriza a proteção do ambiente. ■