Apresentação do livro de Carlos Querido esgotou foyer do CCC

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Eleonora Viegas, Carlos Querido, Joana Marques Vidal e Mantraste (Bruno Santos)

Autor local teve último livro apresentado por antiga procuradora da República, Joana Marques Vidal

As cadeiras colocadas no foyer do CCC não foram suficientes para todos os que quiseram assistir à apresentação da obra “Alegações Finais” de Carlos Querido, no sábado, 11 de novembro. Foram mais de 130 pessoas que se reuniram, entre familiares, amigos e colegas do autor que foi magistrado em vários tribunais de todo o país.
Foi a segunda vez que Joana Marques Vidal aceitou apresentar um romance e, como diz que “tem a tendência para assumir riscos”, respondeu de imediato ao convite. Sem querer revelar toda a história de “Alegações Finais”, a antiga procuradora da República afirmou que o livro do caldense poderia bem ser um guião de um filme. “É uma obra de encontros e desencontros e que nos interpela”, referiu a convidada, contando que a história se centra no casal Mariana e José Francisco e que se passa no mundo dos tribunais. Isto porque este último é um advogado de renome, de barra, mediático que está a viver uma crise no casamento, marcada também pela perda de um filho.
A relação deteriora-se e “só passados 20 anos é que vão conseguir conversar sobre o que se passou”, disse a convidada.

O foyer cheio para a sessão que contou com atuação dos Audiência Prévia

No final, e questionada por Gazeta das Caldas sobre a situação política atual, Joana Marques Vidal não quis fazer qualquer comentário. Carlos Querido confessou-se “comovido” por ter presentes amigos de Coimbra, Oeiras, Torres Vedras, Peniche, Lourinhã e Cadaval, comarcas por onde andou.
“Estão aqui também muitos amigos da minha cidade e da minha aldeia”, referiu o autor que nunca chorava. Nem a ver o filme “Pontes de Madison County” (com Clint Eastwood e Meryl Streep) com a sua mulher e toda uma sala de cinema em pranto e Carlos Querido, sempre calmo e sereno. A situação mudou e agora “choro por tudo e por nada”. O autor fez vários agradecimentos, entre eles ao cosmólogo que o ajudou a dar profissão à personagem da Mariana. Referiu-se também aos juízes que fazem parte de Audiência Prévia, grupo que trouxe música à sessão pois interpretaram Time, Wish e I Can See Clearly Now, canções que fazem parte da banda sonora do livro. “São juízes que interagem mais, o que é bom na hora de tomar decisões”. Afirmou também que teve oportunidade de conhecer melhor Joana Marques Vidal no caminho de Santiago, em que foram ambos peregrinos. “É uma mulher com muito mais mundo do que aquele que ela revela”,disse. Sobre o seu livro, falou pouco e pediu aos leitores que tivessem “paciência e compaixão” por João Francisco, o advogado da história, dado que “é um homem com um enorme deserto dentro dele”.
Segundo Eleonora Viegas, da Casa do Juiz, entidade para a qual revertem os direitos da obra, esta é a primeira capa de um livro da coleção “que é feita por um não juiz”. E é da autoria do caldense Mantraste (Bruno Santos), que é também uma das personagens secundárias do livro. Fazer uma capa para este ilustrador – que já fez mais de 100 – é “como dar um arroto, ou seja, tem que chamar a atenção”. E explicou: “por vezes até ficamos a saber que a pessoa comeu frango mas não sabemos como este foi preparado, se foi à Brás ou se foi apenas assado”. Cabe à capa “dar um cheiro sobre o que se vai passar naquela história”, rematou o caldense. ■