Caldense ligada ao cinema luso e europeu

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Mafalda Marques é produtora de audiovisuais e assistente de realização. Tem um documentário premiado e hoje em dia trabalha com grandes realizadores europeus e norte-americanos

O avô materno serviu de inspiração para o primeiro grande sucesso de Mafalda Marques no mundo do cinema. O documentário sobre António Veiga Leitão ganhou protagonismo e permitiu à caldense, que hoje em dia trabalha com grandes realizadores na cena internacional, se destacar.
A produtora viveu a infância e juventude nas Caldas e só se mudou para capital aos 18 anos para estudar Cinema. Esta caldense “por adoção” (que só nasceu em Coimbra por ter uma tia avó pediatra) trabalha atualmente em realização e produção de audiovisuais, tendo estudado Cinema na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
“Sempre adorei o mundo da imagem, do cinema, da fotografia”, contou a autora acrescentando que sempre se fascinou com a área da anotação, da realização e da produção. Ainda na faculdade, a autora deu nas vistas por causa de um documentário sobre o seu avô materno, António Veiga Leitão, que vivia nas Caldas.

A autora quer continuar a trabalhar no meio audiovisual em Portugal

“Ele era um visionário, um inventor que construía máquinas geradas a energia solar, procurando sempre alcançar a máquina perfeita”, contou a autora que fez este filme na disciplina de Documentário, lecionada pela realizadora Margarida Cardoso. O seu exercício académico com cerca de 15 minutos, designado “A Máquina” acabou por “ganhar uma grande dimensão em festivais nacionais e internacionais de cinema”.
Lembra-se bem do dia do anúncio dos nomeados para os Prémios Sophia, nos quais esteve nomeado como “Melhor curta-metragem de documentário” no ano de 2014. Foi distinguido nalguns certames e marcou presença em cerca de meia centena de festivais nacionais e internacionais. O filme chegou a representar Portugal no Festival “ONE Contry ONE Film”, em França.

Terminado o curso, estagiou durante três meses na SIC Notícias, mas entendeu que era melhor continuar a apostar na formação, tirando um segundo curso – de um ano – em Produção de Audiovisuais na RESART. No final, Mafalda Marques foi estagiar para a produtora de cinema, a Leopardo Filmes que a própria considera que “foi a minha maior escola!”.

Em free lance, Mafalda Marques dedica-se à publicidade e aos videoclipes

Mafalda Marques começou como estagiária de Produção e não esquece os dias de ir bem cedo ao supermercado comprar 3kg de queijo e de fiambre para o catering da equipa. Diz que foi uma longa caminhada que só terminou quando chegou a… segunda assistente de realização. “Aprendi e cresci muito a nível profissional e pessoal”, disse a caldense, de 29 anos, que teve a oportunidade de trabalhar com grandes profissionais do mundo do cinema. Trabalhou no último filme do realizador José Fonseca e Costa e em filmes de outros grandes realizadores como Fanny Ardant, Benoit Jacquot ou Valeria Sarmiento.

Filmar no país e em África
Já esteve em África por causa na rodagem sobre a vida do futebolista Eusébio. Em “Ruth” de António Pinhão Botelho, foi segunda assistente de realização. Contou que foi um verdadeiro desafio “filmar com centenas de atores, nos bairros onde Eusébio cresceu em Maputo”.
Viveu, depois, vários meses a aldeia Alturas do Barroso em Trás-os-Montes onde, juntamente com a equipa de filmagem de “Todos os Sonhos do Mundo” de Laurence Ferreira Barbosa. Esta é outra experiência para mais tarde recordar, pois criaram “uma família” com os habitantes da aldeia.
Ao fim de três anos ligada àquela produtora, decidiu seguir vida de freelancer. Mafalda Marques passou também a trabalhar em publicidade, como segunda assistente de realização e trabalhou na realização de videoclipes como chefe de produção. Também trabalha em diferentes eventos, na área da produção como por exemplo o MIL – Lisbon International Music Network. Este ano, vai participar na quarta edição desta iniciativa. Também trabalhou para a Lisbon Week (edição de 2019) e nas Comemorações do 25 de Abril, no Palácio de São Bento em 2018 e 2019. Nesse ano foi também convidada para fazer um filme com realizador independente americano, Ira Sachs.
Neste filme, Mafalda Marques foi coordenadora de figuração. “Frankie” foi uma “chuva de estrelas”, a começar pelo realizador, bem como o elenco, com nomes como Isabelle Huppert, Marisa Tomei, Greg Kinnear ou Brendan Gleeson. A caldense trabalhou na Valentim de Carvalho, no “Estudo em Casa” e gostaria de realizar um documentário sobre casas de fado e uma curta-metragem que adorava filmar no Oeste, território ao qual regressa sempre que a sua vida profissional lhe permite. ■