Carlos Querido estreia-se na ficção e apresenta colectânea de contos

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Gazeta das Caldas
Carlos Querido

O livro será apresentado pelo escritor e gestor cultural, António Mega Ferreira, enquanto que o pianista Daniel Bernardes pontuará a sessão com um tema inspirado  nos contos de “Insanus”.
Estes contos marcam uma nova fase de Carlos Querido que assim se estreia na ficção pura. O autor promete aos seus leitores, que depois desta incursão, regressará aos temas relacionados com a História, área que tanto aprecia investigar.

Carlos Querido resolveu mudar o rumo da sua escrita. O autor é juiz e autor de várias obras como Praça da Fruta ou A Redenção da Águas – As peregrinações de D. João V à Vila das Caldas. É, há vários anos,  colaborador da Gazeta das Caldas onde assinou rubricas com histórias relacionadas com os tribunais e, sobretudo, com temas da história local.
À Gazeta explicou que as personagens dos contos de “Insanus” “são vultos furtivos que frequentam insones a noite, confundem-se com as sombras que os perseguem e ensurdecem vozes interiores de censura e de culpa”.
Os supostos diálogos que surgem nas histórias nunca chegam a sê-lo. “Não passam de monólogos com ecos, ressonâncias que se reflectem, se repetem e se perdem nas arestas cortantes dos labirintos onde cada um consome a sua existência”, explica o autor na sinopse.
Carlos Querido refere ainda um velho ditado, atribuído a um filósofo, onde se afirma que “os que dançam são julgados insanos por aqueles que não podem escutar a música”. “O mesmo se passa com quem ouve vozes interiores inaudíveis para o resto do mundo”, comparou o autor, acrescentando que a insanidade de cada personagem “é a errância solitária por caminhos que não escolheu, perante o olhar distante e indiferente de quem lhes poderia alterar os destinos”.

“Os meus leitores vão estranhar…”

Segundo o autor, há neste novo livro, “palavras e silêncios irrespiráveis, náufragos que se perdem no mar, que pode ser um deserto, um gato que regressa do passado, um mendigo invisível nos seus andrajos, estátuas que invadem uma pequena cidade termal, um surfista, alguns suicidas, uma mulher que tem o corpo do marido a apodrecer em casa, um pistoleiro sem nome, dois pregadores, um unicórnio e muitos outros personagens”. Todas estas figuras estão “numa revolta final e inútil contra o seu desolado criador”, referiu o autor.
Carlos Querido explica que com “Insanus” quis abordar “o universo paralelo, sem limites, onde vivem as personagens de ficção pura”. Afirma até que os “meus leitores vão estranhar”. Mas espera que estes gostem, que compreendam e, sobretudo, “que não se sintam desiludidos”.
Depois desta incursão à ficção pura, sem suporte em investigação histórica, o autor diz que vai regressar ao romance histórico pois a História e os seus protagonistas sempre o fascinaram.