Escultor caldense viu data de exposição alterada três vezes e acusa CCC de incompetência

0
2957

João de Brito Vidigal agendou com o CCC, em Novembro de 2015, duas exposições para 2016, mas só a primeira se realizou. A segunda mostra teve a sua data alterada duas vezes, mas nunca chegou a inaugurar porque o escultor caldense não aceitou uma terceira mudança de calendário, neste caso para Fevereiro, Março ou Abril de 2017. O artista acusa o centro cultural de incompetência e de falta de respeito pelo seu trabalho, numa carta enviada ao presidente da Câmara, à qual a Gazeta das Caldas teve acesso.
O CCC justifica o adiamento da exposição por falta de pessoal e de condições financeiras.

Notícias das Caldas

Em Novembro de 2015, João de Brito Vidigal reuniu-se com a equipa do CCC, incluindo o seu director Carlos Mota. Ficou acordado que o escultor realizaria duas exposições naquele espaço e ainda um workshop inserido no projecto Familiarte (este nunca chegou a concretizar-se por falta de inscrições). As datas seriam Abril e Novembro de 2016, sendo que a exposição “O Carácter das Coisas”  ficaria montada no Café Concerto (o que viria a acontecer na data prevista) e “Sinestesia Quotidiana” na galeria.
“Inicialmente estava feliz pelo facto das exposições estarem marcadas com bastante antecedência, uma delas um ano antes, pois deduzi que assim haveria tempo que sobra, tanto da minha parte como do CCC, para fazer as coisas bem feitas”, disse o caldense, de 36 anos, que vive em Londres há sete. Contudo – e conforme escreveu na carta enviada ao presidente da Câmara, Tinta Ferreira – “a primeira teve algumas questões negativas que anteviam os males que a segunda viria a padecer”. João de Brito Vidigal refere-se ao facto de apenas ter tomado conhecimento da data de inauguração de “O Carácter das Coisas” através do site do CCC. Faltava uma semana para esta abrir ao público e ninguém da coordenação lhe havia enviado informação sobre a data. Além disso, assim que as peças chegaram ao Centro Cultural, “foi-me dito que a exposição já não iria ser no Café Concerto, mas sim na entrada do CCC, mudança esta que mais uma vez mostra desconsideração pelo meu trabalho, pois as peças foram escolhidas consoante o espaço onde viriam a ser apresentadas”, faz notar. Por “forte insistência” sua, manteve-se o plano inicial.
O que não se manteve foi o combinado para a mostra “Sinestesia Quotidiana”. Em primeiro lugar, porque, após enviar a proposta desta exposição em meados de Janeiro (10 meses antes da data prevista, em Novembro), foi-lhe sugerido que esta ficasse afinal agendada para Setembro de 2016. O escultor aceitou, mas a 10 de Agosto (a três semanas da inauguração) foi-lhe novamente solicitada uma alteração da data, outra vez para Novembro.  Isto com a justificação de que “o mês de Setembro era complicado porque o pessoal ia de férias e tinham uma série de assuntos para resolver”.
João de Brito Vidigal aceitou novamente, mas salienta que esta mudança implicou uma “enorme perda de tempo e dinheiro”: comprou bilhetes de avião para Portugal com curta antecedência, fez alterações ao seu trabalho em Londres (“o que realmente me paga as contas”) e deixou de candidatar-se a um projecto nos Estados Unidos pois este coincidia com a exposição em Setembro. Além disso, estavam previstas performances na inauguração de “Sinestesia Quotidiana”, o que implicava a contratação de assistentes, cujo acordo também teve que ser alterado.
Acontece que no dia 26 de Setembro, o escultor recebeu novamente um e-mail do CCC informando que a operacionalização da exposição para Novembro, que incluía o transporte e o seguro das peças, não seria possível “por falta de condições financeiras e de pessoal”, tendo sido proposta uma nova data: Fevereiro, Março ou Abril de 2017. Das 18 peças, o CCC teria apenas que assegurar o transporte de uma, que se encontrava em Viseu, uma vez que as restantes foram transportadas pelo artista. Custos com a montagem e catálogo também estiveram a cargo de João de Brito Vidigal. Por esta altura já existia informação impressa com a divulgação da mostra.
Após várias trocas de e-mails com o director do CCC, em que o caldense se manifestou “desapontado pela forma como esta exposição tem sido tratada”, Carlos Mota solicitou uma reunião com o escultor. Contudo, este encontro nunca se realizou. João de Brito Vidigal afirma que não recebeu o e-mail que confirmava a reunião para dia 11 de Novembro e disse-o na altura à coordenadora Vanessa Gonçalves, que o contactou via Facebook colocando essa mesma questão. Desde então, o artista não voltou a ser contactado pelo CCC.

EXPOSIÇÃO MAIS COMPLEXA DO QUE PARECIA

Em resposta à Gazeta das Caldas, a direcção do CCC explicou que “tendo em conta as exigências técnicas para a realização da montagem proposta, viemos a verificar que era muito mais complexa do que era espectável no início das conversações”, confirmando o lapso na impressão de materiais informativos sobre a mesma. “Detectado o erro, não nos foi possível corrigir os materiais de divulgação porque estes estavam associados ao conjunto de outros eventos previamente acertados, além dos custos que uma alteração implicava”.
A direcção diz-se surpreendida pela forma como João de Brito Vidigal apresenta o assunto, fazendo este referências ao CCC que “não nos parecem justas pois ao  longo de mais de oito anos de trabalho e de enquadramento de dezenas e dezenas de exposições nunca se registou qualquer situação anómala ou similar”.
O CCC acrescenta ainda que mantém a sua disponibilidade para dar corpo à exposição adiada. Uma posição que é partilhada pela vereadora da cultura, Maria Conceição Pereira, com quem o escultor se reuniu na passada segunda-feira, 16 de Janeiro, e que também sugeriu que a mostra pudesse ser realizada no Centro de Artes.
“No que respeita ao CCC fico de pé atrás pois não sei quantas mais oportunidades posso dar-lhes se esta exposição estava marcada com um ano de antecedência e não se realizou”, afirma João de Brito Vidigal. Este acrescentou que escreveu a carta à autarquia “para alertar as entidades responsáveis da gestão danosa daquele equipamento tão importante e dispendioso”.
Para o escultor o assunto em discussão já não é a sua exposição em particular, mas sim saber em que mãos está entregue a gestão do CCC, que é um cartão de visita da cidade para o resto do país e do mundo.