Escultura feminina suspensa está de volta à rotunda da Vitorino Fróis

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A obra, em calcário, foi feita durante o Simpósio de Escultura em Pedra de 1996. Foi recuperada após ter sido vandalizada e ter ficado com pedaços partidos

A escultura de José Esteves, representada em suspenso, foi recuperada e recentemente recolocada no espaço urbano

A peça escultórica colocada na rotunda na Rua Vitorino Fróis, próxima da ETEO e dos armazéns da União de Freguesias de Caldas – Santo Onofre e Serra do Bouro, foi restaurada e já regressou ao local urbano onde foi colocada em 1997. A escultura em pedra, em que uma figura feminina se encontra em suspenso, fora vandalizada em 2020.
Atirada ao chão, a escultura quebrou-se em várias partes, tendo sido necessário efetuar um restauro que demorou vários meses. O processo, que ficou concluído a 1 de junho, foi assegurado pela restauradora que colabora com o Centro de Artes, Arlinda Ribeiro.
Segundo José Antunes, o diretor do Centro de Artes, a integração dos elementos partidos na peça “não deixará de ser uma fragilidade na obra, que, pelo facto de se encontrar suspensa e com ligeiras movimentações, devido ao vento, obrigará a uma monitorização constante”.
A peça foi produzida no Simpósio Internacional de Escultura em Pedra das Caldas da Rainha de 1996 pelo escultor José Esteves e, apesar não ter título, retrata o tema do “Êxtase de Santa Teresa”.
Segundo José Antunes, trata-se de uma das esculturas mais reconhecíveis do barroco italiano que foi concebida por Gian Lorenzo Bernini, em meados do séc. XVII, que retrata as experiências místicas de Santa Teresa de Ávila e que se encontra na Igreja de Santa Maria da Vitória em Roma.

“Um maior conhecimento por parte da público da obra poderá dar novo nome à rotunda”

José Antunes

“A escultura de José Esteves parte desse tema, desenvolve-o numa linguagem totalmente diferente (contemporânea), embora se destaque a expressividade da figura, no centro da composição, suspensa no meio de um círculo, símbolo da perfeição de Deus”, explicou o historiador de arte.
Aproveitando o restauro, a peça foi limpa pois, ao fim de 25 anos, “apresentava uma grande colonização biológica”, já que a deposição de detritos (aves e poluição atmosférica) “impuseram um aturado processo de limpeza”.
Os elementos partidos foram colados e colocaram-se novos cabos de sustentação da peça. “Será agora feito a recuperação da zona verde envolvente e dentro em breve a colocação da tabela identificadora”, contou o diretor, acrescentando que o escultor José Esteves esteve a par de todo o processo.
A limpeza e restauro de obras no espaço público vai continuar ao longo do ano. Esta operação de renovação das peças terá um custo próximo dos 3 mil euros, somando o restauro à renovação da área envolvente e substituição de elementos. “Esperemos que um maior conhecimento sobre a obra seja um incentivo a que a peça não volte a ser vandalizada”. José Antunes gostaria também que fosse dado um nome mais adequado (em vez de “enforcada”) e até deixou uma sugestão: rotunda de Santa Teresa.