Mafalda Saloio pôs auditório à gargalhada com “Brisa ou Tufão”

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MafaldaSaloio1 copyNo pequeno auditório do CCC, completamente lotado, ouviam-se risos e aplausos, prova de como Mafalda Saloio terminara em grande o seu período de residência artística no CCC, com a apresentação da peça “Brisa ou Tufão”, o último dos quatro projectos que ali desenvolveu. Sozinha em palco neste espectáculo final, a actriz caldense cantou, dançou e representou, tudo ao mesmo tempo, havendo também oportunidade para que o público entrasse em cena. “Brisa ou Tufão” apresenta-nos a aceleração do dia-a-dia e a azáfama do quotidiano que tantas vezes nos deixam sem respirar. “Há que tornar a vida mais arejada”, aconselhou Mafalda Saloio.

Como pano de fundo, dois cenários diferentes – o campo e a praia – ambos lugares tranquilizadores e onde todos os que precisam de relaxar são bem recebidos. Aliás, do lado direito do palco, numa placa de madeira, pode ler-se “Welcome” (Bem-vindo). É este o ambiente visto por quem está sentado na plateia.
No acampamento campestre, ao ar livre, a personagem de Mafalda Saloio inicia um dos rituais de relaxamento. Consiste em limpar o pó com ramagens de árvores pois “tirar o pó que há em nós torna-nos mais leves”, diz a personagem.
Já na praia, improvisada com chapéus de sol coloridos e areia, a personagem circula, de um lado para o outro, acompanhada de um papagaio, e dirige-se à plateia para apresentar a resposta aos problemas do dia-a-dia. Trata-se de um “kit de leveza”, que contém um catálogo com soluções para diversos cenários de stress. Por exemplo, nos momentos de taquicardia – “fanfarra de nervos” – o catálogo sugere que se aplique a técnica do “tchim-tchim”, o acto de brindar. Nesta cena, Mafalda Saloio fez questão de convidar quatro elementos do público, a quem foi entregue um copo, a subir ao palco e beber um pouco de champanhe. Um deles, Fernando Lopes, aproveitou para ir buscar a guitarra e protagonizou, em conjunto com Mafalda Saloio, o momento musical da peça. “Ser feliz é a minha forma de identidade”, ouvia-se no refrão.
Luciana Cativo abandona o pequeno auditório com um sorriso na cara, sinal que se divertiu com a peça. “A Mafalda é uma construtora de fantasias e acho que desta vez superou-se a si mesma fisicamente porque trabalhou o cenário sozinha. Ela é, não só uma óptima actriz, como encenadora e esta noite conseguiu encher o palco”, afirmou a espectadora.
Por sua vez, em declarações à Gazeta das Caldas, Mafalda Saloio explica: “a peça tenta abordar o quotidiano de forma absurda, toca em questões como andar sempre a correr e a ilusão de se achar que umas férias resolvem tudo”. E prossegue: “o kit de leveza é a capacidade de jogo de anca quando surge um problema, o saber safarmo-nos mesmo com poucos recursos à mão”.

“Queria voltar a trabalhar sozinha”

Enquanto artista residente do CCC, Mafalda Saloio desenvolveu quatro projectos: o workshop “Ginástica do Actor” (onde participaram oito jovens), “Pé na Terra Cabeça no Ar” (um teatro-dança com o Rancho Folclórico e Etnográfico “As Ceifeiras” da Fanadia e ginastas do Acrotramp Clube das Caldas), a peça “Sforzando” (com a Banda Comércio e Indústria das Caldas e o actor Victor Andrade) e agora “Brisa ou Tufão”.
“Já não trabalhava sozinha há muito tempo e quis voltar a fazê-lo, até porque esta personagem resulta da revisita a algumas personagens que já interpretei ao longo dos anos e que acabam por se tocar”, explicou a actriz. Olhando para trás, Mafalda Saloio diz-se muito satisfeita com o resultado dos quatro trabalhos, afirmando que no futuro gostaria de repor as últimas três peças apresentadas. Em San Sebastian, onde vive e lecciona teatro, a artista já pensa em desenvolver projectos com a comunidade, à semelhança do que fez nas Caldas da Rainha.

Maria Beatriz Raposo
[email protected]ldas.pt