Óbidos Poetry Sessions une a poesia, a língua portuguesa e o território

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Promover a poesia ligada com o território, a identidade e a Vila Literária é o objetivo da Óbidos Poetry Sessions, a decorrer nos meses de março e abril. Os vídeos são partilhados na internet

Sábado, 10h00, Porta da Talhada. As contadeiras – Leonor Pintos e Marta Machado – narravam a história da Ilha Desconhecida, de José Saramago e o vídeo, de aproximadamente cinco minutos, deverá ser partilhado dentro de duas semanas em streaming, no canal Óbidos TV (YouTube) e Facebook da Óbidos Vila Literária. Trata-se de uma das atividades da Óbidos Poetry Sessions, uma iniciativa, que irá decorrer durante os meses de março e abril, num conceito distinto de outros eventos literários que atualmente são realizados em formato digital (online). Demarca-se dos eventos, assumindo um formato experimental e alternativo e, por outro lado, não apresenta um programa, com dias ou horas pré-definidos, nem webinars, entrevistas ou sessões longas.
“São vídeos de aproximadamente cinco minutos, que serão passados no final do dia e o que queremos é que seja um pouco como um intervalo neste confinamento, para fugir à realidade”, explica Paula Ganhão, responsável pelos serviços de cultura da Câmara de Óbidos, à Gazeta das Caldas.
Outro dos objetivos é o de colocar Óbidos na lista de desejos dos portugueses para quando for possível a mobilidade, com as atividades a serem gravadas em diversos cenários naturais da vila, mas também nas suas livrarias e museus. Por exemplo, a atividade “O Poeta dança pela Vila Literária”, é composta por três partes, em que um grupo de bailarinas dança pelas várias livrarias ao som da poesia de Armando Silva Carvalho, dito por Luís Duarte.
A iniciativa arrancou no Dia Mundial da Poesia, com um vídeo que celebra o poema de Armando da Silva Carvalho, “Um poema que foi curto”, declamado pelos poetas locais. No mesmo dia, a Livraria Artes e Letras apresentou um catálogo com uma seleção de mais de 200 livros de poesia e, por cada encomenda, oferece um marcador de livro alusivo ao dia, concebido e impresso, em tipografia manual, pelo ateliê. Houve ainda “Narrativas poéticas – das coisas nascem coisas”, integrado no Programa Crescer Melhor, que pretendeu também homenagear o poeta obidense.
O Óbidos Poetry Sessions contará, ainda, com sessões de poesia, como é o caso de “Viagem ao Centro dos Espelhos”, um recital online a várias vozes, entre elas, do ator André Gago, do poeta André Anjos, do declamador Pedro Freitas e de estudantes da Escola Josefa de Óbidos. Os alunos de Teatro da ESAD irão fazer um podcast com leitura de poesia e excertos dramáticos, haverá programas de rádio, cartas poéticas, caminhadas literárias, entre muitas outras iniciativas.
Os vídeos deverão ser colocados entre quarta-feira e domingo e, depois, poderão ser usufruídos sempre que assim o utilizador quiser.
Paula Ganhão destaca que esta iniciativa pretende promover a poesia, mas está ligada com o território e a identidade local, destacando a obra de Armando da Silva Carvalho, o poeta natural do Olho Marinho, cuja promoção está a ser feita a nível nacional e internacional.
“Pretendemos cada vez mais investir em atividades que valorizem as nossas pessoas, como já tem acontecido no Folio em anos anteriores, em que editávamos livros da nossa comunidade”, salienta a responsável, dando nota que o facto de Óbidos ser uma cidade criativa da Unesco também possibilita aos escritores obidenses participarem em programas internacionais, como acontece com o projeto CELA (Connecting Emerging Literary Artists), que integra a escritora Patrícia Patriarca, natural do Olho Marinho.
Esta é uma primeira iniciativa ligada à poesia e totalmente digital. No entanto, no próximo ano, quando já houver “alguma normalidade e for possível a deslocação”, a autarquia pretende “alterar um pouco o conceito e fazer atividades físicas ligadas à poesia”, explica Paula Ganhão, reconhecendo que a componente digital continuará a ser obrigatória, a partir de agora, em todos os eventos culturais de Óbidos. ■