Poesia de Mena Santos dada a conhecer na Paradense

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Mena Santos
Mena Santos vai continuar a dedicar-se à escrita e à poesia

“Filigrana de Palavras” assim se designa o livro de Filomena Santos, apresentado a 26 de Novembro, na Associação Social e Cultural Paradense. A autora, natural de Tornada, escreve poemas todos os dias e dedica-se a temas como a guerra e o amor.

Filomena Santos diz que é na poesia que se realiza e conta que para se escrever este género “tem que haver fantasia, audácia e paixão”. A autora, de 65 anos, inspira-se nos mais variados temas. Escreve sobre a guerra, sobre a fome e também sobre o amor, seja ele passional ou universal.
Impossibilitada de prosseguir estudos depois de ter feito a 4ª classe, Mena Santos só pôde retomar o seu percurso escolar no final dos anos 70, já adulta, na Escola Comercial e Industrial.
Lembra-se de em miúda ter sido consumidora dos livros da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e de ter sempre gostado de ler e de escrever.
Convidada por outros autores, costuma ir a Alenquer, a Lisboa e a Vila Franca de Xira para se encontrar e partilhar poesias em várias tertúlias. Foi nestes eventos que conheceu o também autor Alexandre Carvalho, que a aconselhou a não escrever para a gaveta. Um conselho importante, que a fez avançar para o lançamento desta obra.
“Quase todos os dias escrevo um poema”, contou a autora, acrescentando que tem gosto em trabalhar as palavras “como se fossem filigrana”. Entre os seus poetas de eleição, encontram-se Fernando Pessoa, José Régio e Miguel Torga.
“Sempre fui uma pessoa que não tem medo de dizer as coisas”, contou a autora recordando que já antes da Revolução se reunia em Tornada, com outros jovens amigos, para ouvir canções de Zeca Afonso e de outros artistas de intervenção.
A poetisa lembra ainda, com saudade, as sessões de cinema, proporcionadas pelo padre António Emílio, na sua terra natal. Auxiliado por uma máquina de projecção, exibiam-se filmes em paredes de lugares centrais da aldeia. Foi também graças a este dinâmico padre que os jovens da terra assistiram às primeiras emissões televisivas. O padre levou uma televisão para a localidade e Mena Santos guarda com carinho estas sessões, assistidas colectivamente, numa altura em que apenas os muitos ricos possuíam TV.
Mena Santos é também autora e encenadora da peça “Tornada e as suas Gentes” e assegurou à Gazeta das Caldas que vai continuar a dedicar-se à escrita. A sessão de apresentação, a 26 de Novembro, contou com a presença dos professores Graça Jacinto e José Luís de Almeida Silva. Este último, foi docente da autora de “Filigrana de Palavras” na Escola Comercial e Industrial. O director da Gazeta das Caldas escreveu o prefácio da obra, agora apresentada em Tornada e que foi lançada na Biblioteca Municipal das Caldas em Abril.