“É um marco importante e vai servir de motivação extra”

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Isolamento de 15 dias atrasou preparação do caldense de 25 anos, que voltou aos treinos de campo no sábado | D.R.

Após 15 dias de isolamento, Frederico Silva já iniciou a preparação para o Australian Open.
Objetivo é dar o melhor e passar a primeira ronda

 

A 8 de fevereiro arranca o Australian Open, que vai contar com a presença do caldense Frederico Silva. Presença será uma motivação para o caldense continuar a evoluir, objetivo imediato é chegar ao top 150 ATP.

Como têm sido estes dias em Melbourne?
Foram dias complicados, porque a minha vontade era preparar-me da melhor forma para o torneio e acabei por não conseguir. Finalmente já saímos do quarto, no passado sábado, e começámos a treinar. Este isolamento foi um desafio. Em Doha estávamos numa espécie de bolha, só podíamos sair do hotel para o clube e vice-versa, não podíamos sair à rua. Aqui em Melbourne já podemos andar na rua normalmente. Os torneios estão com regras diferentes, há que aceitar e adaptar.

O que lhe passou pela cabeça quando garantiu a qualificação para uma prova do Grand Slam?
Um dos primeiros objetivos na carreira de um jogador é chegar ao quadro principal de um Grand Slam, por isso fiquei muito contente por ter conseguido. É um marco muito importante e, por isso, vou guardar este torneio, vai servir de motivação extra para mostrar que todo o esforço e dedicação, todos os obstáculos que tivemos que superar, valeram a pena e que estamos no bom caminho.

É especial estar num grupo tão restrito de jogadores portugueses que participaram em Grand Slam?
É sempre um momento especial, não houve muitos portugueses a conseguirem jogar em Grand Slam, por isso estou muito contente por fazer parte desse grupo. Espero começar a ter presença mais assídua nestes torneios.

Com que objetivos vai para a competição?
As expetativas dependem de várias coisas, a começar na preparação que vamos conseguir fazer. Vai ser o meu primeiro torneio com jogos à maior de cinco sets, é uma experiência nova para mim. Neste tipo de torneios o sorteio também influencia muito, porque podemos apanhar jogadores como um Nadal ou um Djokovic. Sem saber o sorteio, quero apenas pensar em dar o meu melhor e passar a primeira ronda.

Perto da melhor classificação ATP da carreira, a presença no Open da Austrália pode servir de impulso para 2021?
Sim, estou perto da minha melhor classificação de sempre. Se passar algumas rondas aqui vou superar essa classificação. É difícil ganhar jogos nestes torneios, mas amealha-se muitos mais pontos e e isso permite dar um salto maior na classificação.

O top 100 é um objetivo para este ano?
Este ano não estabeleci um objetivo final em termos de ranking. Tenho o objetivo a curto prazo de chegar ao top 150. A partir daí é tentar ao máximo ir melhorando. Mas o top 100 é um objetivo que temos em mente e que nos dá motivação para treinar e continuar a evoluir.

O desporto tem ajudado a levantar o ânimo das pessoas nesta fase difícil, em particular aos caldenses. O Frederico está a fazer história, como fez também o João Almeida no Giro do ano passado. Está a chegar apoio das Caldas?
Estamos numa fase muito difícil e o desporto pode servir para ocupar a cabeça das pessoas com outras coisas que não a pandemia. Estou muito contente por poder continuar a praticar a minha profissão, ainda que com condicionamentos. O apoio que tenho sentido é o apoio das pessoas que me são próximas e só lhes posso agradecer estarem sempre comigo nestes momentos bons, mas também, e mais importante, nos menos bons. ■