
Caldas e Sp. Covilhã empataram a um golo na penúltima jornada da Liga 3- Fase de Manutenção e Descidas. Numa bela festa, com o Caldas a fazer desfilar as suas equipas e com cerca de 3000 adeptos nas bancadas, o Sp. Covilhã fez também a festa, com o empate a garantir a manutenção.
Manutenção que o Caldas já tinha conquistado na jornada passada. Os pelicanos entraram, por isso, soltos e João Aguiar voltou a apostar nos jovens da casa, com Guilherme Lopes e Tiago Catarino no onze. Do outro lado, o Covilhã chegava a este encontro a precisar apenas de um ponto, já conhecedor dos restantes resultados da jornada.
O início foi morno, com as duas equipas a encaixarem-se bem e sem grandes riscos. Ainda assim, o Caldas foi dando os primeiros sinais de perigo. Aos 9 minutos, João Tarzan desviou de cabeça após canto, mas a defesa serrana cortou. Pouco depois, o mesmo Tarzan voltou a criar desequilíbrio pela esquerda, com a bola a sobrar para Matheus Palmério, que rematou ao lado.
Mais pressionante, o Caldas foi somando aproximações. Rui Carreira, em destaque no primeiro quarto de hora, tentou a sorte de longe (16’), mas sem enquadrar. Filipe Oliveira também esteve em evidência, servindo Gonçalo Chaves (22’), que rematou cruzado e perto do poste.
O Sp. Covilhã, com um pouco mais de posse de bola, respondeu à passagem da meia hora, com Niang a cruzar para corte decisivo de Zé Ricardo, quando André Liberal surgia em posição perigosa (37’).
O golo acabaria por surgir pouco depois, aos 39 minutos. Tiago Catarino descobriu Gonçalo Chaves na esquerda e o cruzamento do avançado acabou por bater em Edu Silva e ressaltar em Farinha, traindo o guarda-redes Galil e colocando o Caldas na frente.
Uma vantagem que se ajustava ao intervalo face à maior facilidade do Caldas em apontar armas à baliza contrária.
Na segunda parte, o Caldas entrou mais controlador, privilegiando a posse de bola e tentando gerir o ritmo do encontro. Ainda assim, o primeiro sinal de perigo pertenceu ao Covilhã, com André Liberal a surgir na área aos 58 minutos, valendo o corte atento de Edu.
A resposta dos pelicanos surgiu pouco depois, com Zé Gata a protagonizar uma grande arrancada pela esquerda, assistindo atrasado, mas sem aparecer ninguém para a finalização. Aos 68 minutos, na sequência de um canto, Zé Ricardo cabeceou por cima, numa das melhores oportunidades da etapa complementar.
Com as substituições, o Caldas ganhou maior dinâmica ofensiva e parecia mais perto de ampliar a vantagem, mas o Covilhã acabaria por chegar ao empate. Aos 70 minutos, um passe longo encontrou Niang nas costas da defesa; Wilson Soares saiu da baliza e aliviou, mas a bola sobrou para Fábio Cruz, que, à entrada da área, rematou para o fundo das redes.
O golo animou os serranos, que cresceram no jogo, enquanto Rui Mota reforçou o meio-campo para equilibrar as operações. O Caldas voltou a ter mais dificuldades em chegar com perigo, embora ainda tenha criado uma boa oportunidade aos 84 minutos, num lance em que Guilherme Lopes combinou com João Tarzan e Zé Gata rematou de primeira, ao lado.
Até final, o jogo manteve-se repartido, com o empate a satisfazer sobretudo o Sp Covilhã, que assim garantiu a permanência.
Ficha de Jogo
Caldas 1 – 1 Sp. Covilhã
Estádio Campo da Mata, Caldas da Rainha
Caldas Wilson Soares; Guilherme Lopes, Zé Ricardo, Edu e Rui Carreira (Miguel Costa, 84); Matheus Palmério (Gonçalo Barreiras, 84) e Tiago Catarino (Clemente, 62); Farinha (Januário, 62), Filipe Oliveira (Zé Gata, 62) e João Tarzan; Gonçalo Chaves
Suplentes: Duarte Almeida, David Lopes, Rui Silva e João Vieira
Treinador: João Aguiar
Sp. Covilhã Gustavo Galil; Miguel Silva, Carlos Balsa, Alison Calegari e Edu Silva (Filipe Garcia, 60); Ângelo Barbosa (Fábio Cruz, 60) e Mica Silva; Rodrigo Ferreira (Pedro Ribeiro, 73), André Liberal (Tomás Oliveira, 73) e Jailson Gomes; Cheikh Niang (Sérgio Matos, 85)
Suplentes: Igor Araújo, Tomás Pimenta, Pedro Brito e Sekou Diancoumba
Treinador: Rui Mota
Árbitro Halim Shirzad (AF Santarém)
Assistentes Rafael Escudeiro e César Soares
Ao intervalo 1-0
Marcadores 1-0 Farinha (39), 1-1 Fábio Cruz (70)
Disciplina amarelo a Zé Ricardo (17), Carlos Balsa (23), Cheikh Niang (52), Alison Calegari (55), André Liberal (61), Fábio Cruz (67) e Matheus Palmério (78)
João Aguiar: “Respeitámos a competição, mesmo com a manutenção garantida”
O treinador do Caldas, João Aguiar, destacou o ambiente de festa vivido no Campo da Mata, após o empate com o Sp. Covilhã, sublinhando a importância de terminar a época com dignidade, apesar da manutenção já estar assegurada.
“Sabíamos que, depois de garantirmos a manutenção, não era fácil manter os jogadores focados, mas dissemos desde o início da semana que tínhamos de respeitar a competição e foi isso que fizemos”, afirmou.
Sobre o jogo, o técnico considerou que o Caldas esteve melhor antes do intervalo. “Fizemos uma primeira parte muito bem conseguida, anulámos os pontos fortes do Covilhã e tivemos oportunidades para marcar mais cedo. Na segunda parte, estivemos abaixo do habitual, também pelas alterações, e os jogadores que entraram não acrescentaram o que precisávamos”, explicou.
Ainda assim, não sentiu o adversário superior. “Nunca senti que o Covilhã estivesse por cima. Nós tivemos situações para fazer o 2-0 e não conseguimos. Eles tiveram mérito em chegar ao empate”, acrescentou.
João Aguiar valorizou também a forte presença de jogadores formados no clube. “Hoje jogaram oito jogadores da formação. Não é por termos a manutenção garantida, é porque acreditamos neles. Têm dado resposta e são o futuro do Caldas”, sublinhou.
O técnico deixou ainda palavras de reconhecimento aos adeptos. “Foi uma festa bonita, os adeptos nunca nos abandonaram e foram fundamentais nesta fase”, disse, deixando também um agradecimento especial à responsável pela comunicação, Carolina Neto, que teve neste último jogo da época no Campo da Mata a sua despedida do clube.
Sobre o futuro, confirmou que já existem conversas com a direção. “A direção sabe o quanto eu gosto do clube e reconhece a coragem que tivemos ao assumir a equipa num momento difícil. A minha equipa técnica foi fundamental nesse processo. Hoje pode parecer simples, mas foi duro. Sabia que muitos adeptos poderiam estar desconfiados e que substituir o José Vala — um dos melhores treinadores da história do clube — seria um desafio enorme. Tivemos a coragem de assumir essa responsabilidade. Estamos a conversar para continuar e acredito que chegaremos a bom porto. Temos de aumentar a exigência para continuarmos a crescer. O Caldas é um clube centenário e a exigência tem de ser máxima”, concluiu.
Rui Mota: “Com alma e coração conquistámos o ponto que precisávamos”
O treinador do Sp. Covilhã, Rui Mota, destacou o caráter e a capacidade de superação da sua equipa após o empate frente ao Caldas, resultado que garantiu a permanência na Liga 3.
“Hoje é um momento de agradecimento. À equipa técnica e, sobretudo, aos jogadores, que foram incansáveis. Nunca houve dúvidas da sua vontade”, afirmou, sublinhando que o desfecho da partida refletiu o percurso da equipa. “Foi mais um jogo sofrido e difícil, como tem sido esta caminhada. Mesmo quando não conseguimos jogar como queríamos, com muita alma e coração conquistámos o ponto de que precisávamos.”
O técnico reconheceu o peso emocional do encontro. “Foi um jogo muito difícil nesse aspeto. Tivemos de lutar até ao fim. No intervalo corrigimos algumas coisas e conseguimos estabilizar a equipa”, explicou.
Rui Mota destacou ainda a evolução do Covilhã ao longo da fase de manutenção. “Nunca fomos favoritos, partimos sempre atrás, mas fomos competitivos. Este é o resultado de muito trabalho e de acreditarmos no processo”, referiu.
Por fim, deixou uma palavra aos adeptos. “É para eles que trabalhamos. Este sucesso é deles”, concluiu.










