Diversidade é característica principal dos vinhos dos concelhos do Oeste

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No Oeste existe um laboratório de enologia que se dedica a auxiliar os produtores

Neste território não faltam bons e diferentes exemplos de produtos de qualidade no vinho. De tintos de castas selecionadas, aos famosos brancos leves, passando pelas colheitas tardias e aguardentes, conheça algumas das propostas à disposição

 

A região Oeste ficou durante largos anos marcada no setor do vinho pelos vinhos a granel e, muitas das vezes, de fraca qualidade, uma ideia que persistia no final do século XX. Mas nos últimos anos tem sido feito um trabalho no sentido de aumentar a qualidade e recuperar a imagem. Atualmente já se vivem dias diferentes, fruto da plantação de castas, mas também da melhoria dos equipamentos tecnológicos e da comunicação e marketing. Os prémios nacionais e internacionais que os vinhos da região conquistam também contribuem para a melhoria da perceção do que é, hoje, o vinho desta região.
O setor tem-se mostrado pujante no Oeste, sabendo honrar a tradição da produção de vinho neste território e procurando projetar-se para o futuro.
Os vinhos da região estão atualmente integrados na Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa e a diversidade será uma das melhores palavras para descrever os produtos que aqui são produzidos.
Esta é uma região com cerca de 10 mil hectares de vinha certificada e 2 mil viticultores.
Depois do ano de crescimento exponencial em 2020 (17% de aumento face a 2019) e de conseguir a duplicação das vendas nos últimos cinco anos, o setor sente o impato da pandemia, mas consegue manter a atividade.
Atualmente as vendas totais estão a crescer 17%, sustentadas pela exportação.
O mercado nacional continua a cair, em linha com o padrão nacional, com as vendas na restauração a cair 50% afetando significativamente os produtores mais vocacionados para o canal horeca (hotelaria, restauração e estabelecimentos similares).
Na região de Lisboa, 80% do vinho é certificado, sendo já exportado para 100 destinos, um pouco por todo o globo.

Uma região rica
No Oeste, a aguardente velha da Lourinhã é um dos ex-libris. Aquele precioso néctar rivaliza com os gigantes Cognac e Armagnac, sendo, de resto, estas as únicas três aguardentes velhas DOC da Europa.
Na área dos vinhos, o Oeste ainda mantém muita fama pelos seus vinhos leves e de fácil consumo, que são influenciados pelas caraterísticas próprias do local onde as vinhas estão inseridas, beneficiando das influências do Oceano Atlântico, mas também da Serra de Montejunto.
Ainda assim, muito mais há para provar do que os brancos leves. No Oeste faz-se também vinho branco colheita tardia com qualidade. Nestes casos, o resultado da colheita ser feita num estado mais avançado de maturação permite que o vinho adquira um gosto mais doce, quase licoroso.
Em termos de tintos não faltam também opções, havendo mesmo atualmente algumas apostas mais arrojadas, com castas diferenciadas, que, apesar de na maior parte dos casos terem menor volume de produção, permitem produzir vinhos diferentes e que respondam à procura do mercado.
No concelho das Caldas da Rainha há, a título de exemplo, vinho totalmente biológico e pelo Oeste registam-se também casos de sucesso na produção de espumantes e de licores abafados.
Alargando o âmbito deste setor, o licor de ginja, que é tão característico de Alcobaça e Óbidos, merece uma menção. Por outro lado, há também apostas de diversos empresários na produção de diferentes gins.
Mas há mais. Este território tem ainda a particularidade de ter um laboratório de enologia que se situa no Painho, no concelho do Cadaval.

O turismo do vinho
No setor do vinho, além da grande diversidade de produtos que são produzidos (e faltando ainda falar dos frutados rosé), é preciso juntar a questão do enoturismo, uma vez que tem vindo a ganhar cada vez mais peso. E tendo em conta os tempos que vivemos é provável que o turismo de massa demore a regressar ao que era, pelo que a aposta deverá passar por atrair o cliente específico que se interesse pelos temas.
Nestes 12 concelhos os nossos leitores podem encontrar propostas mais ou menos arrojadas em grandes quintas e adegas e nos dois museus dedicados ao vinho no Oeste – Alenquer e Alcobaça.
Neste território há ainda grandes festivais dedicados ao vinho, como o festival do vinho e feira da pêra rocha do Bombarral e também as adiafas, no Cadaval.
Por tudo isto, resta concluir que no Oeste se produz, como se pensava, muito vinho. Mas contrariamente à tal imagem negativa que existia, hoje é possível afirmar que se fazem aqui vários bons vinhos.
Há centenas de diferentes referências para provar no Oeste. Posto isto, basta partir à descoberta, sem preconceitos e com vontade de conhecer, mas sempre com moderação. ■

 

A aposta em novas castas e nova tecnologia, assim como na formação, tem surtido efeitos positivos na produção

 

Na CVR Lisboa existem cerca de dois mil viticultores que têm perto de dez mil hectares de vinhas

 

O impacto económico do setor no território onde está inserido é avultado, empregando milhares de pessoas