Freguesia de Alfeizerão exibe um tecido empresarial diversificado

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Empresários destacam a centralidade e as acessibilidades da freguesia, que torna o território atrativo tanto para quem se direciona para a região, como para um público mais alargado

O tecido empresarial de Alfeizerão tem a particularidade de ser bastante diversificado. De acordo com a Iberinform, é no setor do comércio que existe maior número de empresas e é também neste que a freguesia gera a maior fatia do seu rendimento, com o comércio e distribuição de produtos agrícolas a assumir um papel importante. No entanto, a indústria, a agricultura, a construção e os serviços também assumem relevo ao nível da faturação e do emprego.

Começando, justamente, pelo emprego, é nos serviços que as empresas da freguesia disponibilizam maior número de postos de trabalho, perto de 300. Nestes, assumem expressão o ramo das limpezas, com mais de 200 postos de trabalho em três empresas.
O comércio é o segundo maior empregador, com 184 postos de trabalho, seguido pela indústria (161), agricultura (147) e construção (104).
Quanto ao volume de negócios, as empresas da freguesia registaram, em 2019, vendas no valor de 54,3 milhões de euros. A maior fatia foi do comércio (21,5 milhões de euros), seguido da indústria (9,8 milhões de euros), a agricultura (7,4 milhões de euros), a construção (6,6 milhões de euros) e os serviços (5,8 milhões de euros). A freguesia tem ainda empresas no setor dos transportes de mercadorias. O setor menos expressivo ao nível do volume de negócios é o turismo (1,3 milhões de euros), mas o setor emprega 35 pessoas.

Empresas da freguesia faturaram, em 2019, 54,3 milhões de euros

Centralidade apresenta-se como um dos fatores distintivos da freguesia

Um dos fatores que Alfeizerão apresenta como trunfo para as suas empresas é a sua centralidade, tanto ao nível da região, como do próprio país, aliado às boas acessibilidades que a Autoestrada do Oeste (A8) veio oferecer para chegada e escoamento de produtos.
José Coito, gerente da Especial Frutas, foca essa característica quando escolheu a freguesia para instalar a empresa, que originalmente foi criada no Vimeiro, outra freguesia de Alcobaça.
“O nó da A8 torna a nossa localização um ponto estratégico, que foi muito importante na nossa decisão”, refere o empresário.
Ao ficar na confluência dos concelhos de Alcobaça e Caldas da Rainha, com rápido acesso aos restantes concelhos da região, também simplifica processos para a empresa, que teve mesmo uma transformação da sua filosofia. “Até 1996 éramos uma empresa com 80% de importação, hoje estamos a trabalhar a 30% para exportação”, refere José Coito. Hoje a empresa trabalha, essencialmente, com agricultores da região, “cerca de 45”, refere.
A mudança tem permitido à Especial Frutas um crescimento contínuo. A empresa está já a trabalhar num projeto de expansão das instalações, para o qual já foram adquiridos os terrenos e cujo início das obras está previsto para finais de 2022.
Empresa que também se deslocalizou para Alfeizerão, e tem mantido um crescimento contínuo, é o Atelier do Doce, que tal como a Especial Frutas está a preparar projeto para aumentar as instalações, tanto na loja como na produção.

“Uma das razões que nos fez vir para a freguesia de Alfeizerão foi a proximidade com o nó da A8”

José Coito (Especial Frutas)

“Devia ser feita uma ligação com atração turística de São Martinho a Alfeizerão e aos casais, para trazer mais pessoas”

Rui Marques (Atelier do Doce)

“A freguesia e os empresários em conjunto é que fazem com que os produtos sejam reconhecidos”

Jorge Silva (Flor do Vale)

Rui Marques, sócio-gerente, salienta que uma parte do negócio da empresa está nas zonas de maior turismo, nomeadamente junto à praia de São Martinho do Porto e também da Foz do Arelho, o que coloca Alfeizerão numa posição interessante.
Outro benefício, que a empresa tem ajudado a construir, é a reputação de Alfeizerão pela sua doçaria. Rui Marques acredita que haver mais oferta dentro do mesmo segmento pode ser benéfico. “Quanto mais empresas com qualidade houver, mais pessoas vêm à freguesia”, sublinha.
No entanto, e por não ter um grande centro populacional, o empresário acredita que as empresas alfeizerenses podiam beneficiar se o potencial turístico das zonas de costa fosse canalizado, também para Alfeizerão e para os casais.
Negócio que também tem crescido na freguesia é o da Queijaria Flor do Vale, no Valado de Santa Quitéria. Os produtos artesanais, “pouco transformados”, salienta Jorge Silva, gerente da empresa, beneficiam também da facilidade em percorrer os circuitos do comércio tradicional da região.
Jorge Silva realça que, em termos institucionais, tem sido feito um bom trabalho no apoio às empresas para que estas cresçam e, assim possam levar nos seus produtos o nome da freguesia. “Como empresários, o que esperamos de quem está à frente das autarquias é que não complique, porque às vezes criam-se entraves, mas no nosso caso não temos razão de queixa”, sustenta.