Resioeste “engolida” pela Valorsul

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Desde quarta-feira, 21 de Julho, a Resioeste deixou de existir, passando a fazer parte de uma nova empresa – a Valorsul – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e do Oeste, S.A..
Foi desta forma que ficou concluído o processo de fusão entre as empresas Valorsul e Resioeste, apesar de ter predominado o nome da empresa que tratava os resíduos da Grande Lisboa.
A primeira Assembleia Geral da nova empresa, realizada a 15 de Julho, elegeu Emídio Xavier como o novo presidente do Conselho de Administração e João Figueiredo como presidente da Comissão Executiva.
Quem ainda não sabia o seu destino até ao dia de fecho desta edição (na passada terça-feira) era o ainda administrador da agora extinta Resioeste. Damas Antunes (que aufere um salário de quase 5 mil euros por mês) confessou à Gazeta das Caldas que não sabia se iria continuar ou não nas suas funções, embora acredite que isso possa acontecer durante um período de transição. “Hoje é um dia duvidoso”, afirmou o administrador no 20 de Julho.
Os cerca de 150 funcionários da ex-Resioeste, que receberam uma carta a comunicar que o vínculo laboral com a Resioeste terminava no dia 20 de Julho, estão também muito apreensivos.
Embora tenha sido garantido que não iriam ser extintos postos de trabalho, a verdade é que alguns cargos poderão deixar de fazer sentido na nova estrutura e cerca de uma dezena de contratos a prazo não foram renovados.
Alguns vigilantes foram mudados para outras funções porque a Valorsul tem um contrato com uma empresa externa de segurança.
O nosso jornal soube que para acautelar a situação dos quadros superiores, houve aumentos consideráveis em salários de alguns funcionários.

Autarquias vão pagar menos pela recolha e tratamento de resíduos

À Valorsul foi atribuída a responsabilidade de garantir a valorização dos resíduos sólidos urbanos dos concelhos de Alcobaça, Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Vila Franca de Xira, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.
A empresa passa a ser responsável pelos resíduos sólidos urbanos produzidos por 1,5 milhões de habitantes, o que equivale a cerca de 1 milhão de toneladas/ano provenientes de 19 municípios, numa extensão de 3396 quilómetros quadrados.
Com a fusão, parte dos resíduos dos concelhos da região Oeste passam a ser incinerados na Central de Valorização Energética da Valorsul, reduzindo a quantidade de lixo no aterro sanitário localizado no Cadaval.
O objectivo deste processo foi exactamente o da optimização da gestão de resíduos, com ganhos de escala e maior sustentabilidade económica e financeira. “É claramente melhor para os municípios do ponto de vista económico”, salientou Damas Antunes.
Os municípios do Oeste vão ter a sua factura de tratamento dos lixos reduzida quase para metade. Estava previsto que as câmaras municipais passassem a pagar 38 euros por tonelada de resíduos a partir de 2010, mas com esta mudança o custo baixa para os 21 euros por tonelada.
A recolha selectiva irá continuar a ser feita pela ex-Resioeste, ao contrário do que acontece nos outros concelhos que fazem parte da Valorsul, onde cada município é responsável por essa actividade.

Oeste apenas com 5,25% do capital social

Embora tenha sido anunciada como uma fusão, os municípios do Oeste, anteriormente servidos pela Resioeste (representados pela Comunidade Intermunicipal do Oeste), ficam apenas com 5,25% do capital social da nova sociedade (que é de 25,2 milhões de euros).
A EGF (Empresa Geral do Fomento), do Grupo Águas de Portugal, detém a maioria do capital, com 56,17%. A Câmara Municipal de Lisboa tem 17,85% do capital, enquanto o município de Loures fica com 11,51%. Amadora e Vila Franca de Xira ficam, cada uma, com 4,6%.
O presidente da Câmara do Cadaval, Aristides Sécio, é o único autarca do Oeste a estar representado no novo conselho de administração, como administrador não executivo.