CDS/PP: crise divide dirigentes na região

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Antigo deputado Manuel Isaac apoia Nuno Melo, mas presidentes das Concelhias das Caldas e Alcobaça estão ao lado de Chicão

O anúncio da saída de figuras de relevo no CDS/PP, como Adolfo Mesquita Nunes ou Pires de Lima, tem feito correr muita tinta, e a discussão interna no partido está a dividir as figuras do partido na região.
Uma das vozes mais críticas da direção de Francisco Rodrigues dos Santos é a de Manuel Isaac, apoiante do eurodeputado Nuno Melo na corrida pela liderança do partido. E que não poupa nas palavras contra uma direção que, assegura, “está agarrada ao poder”.
“Quando as pessoas entendem que têm um desígnio, neste caso o de liderarem o partido, surgem este tipo de atitudes de falta de sentido democrático. Se estão tão confiantes, não vejo qual o problema de ir ao congresso”, observa o antigo deputado, lamentando um processo em que que os críticos das anteriores direções do partido tenham “sido chamados para correrem com aqueles que fizeram do CDS/PP um partido de Governo. “Por cada filiado que sai é uma festa que fazem no [Largo do Caldas], lamenta o homem que liderou a Distrital de Leiria durante uma década e para quem esta crise interna “só pode vir a acabar com o partido se nada for feito”.
Entre os apoiantes de “Chicão” estão os presidentes das Concelhias das Caldas da Rainha e de Alcobaça do partido: João Forsado Gonçalves é conselheiro nacional e faz parte da Comissão Política Nacional, enquanto Nélson Plácido é secretário da mesa do Conselho Nacional e também viabiliza as decisões da direção. Os dois dirigentes asseguram, todavia, que não há fraturas internas e que há espaço para os militantes se pronunciarem.
“A Concelhia das Caldas consegue aglutinar as várias correntes e temos pugnado pela coesão”, diz João Forsado Gonçalves, que destaca o facto de haver apenas uma lista de delegados ao congresso, mesmo havendo “várias sensibilidades”. “Percebemos que o mais importante é o nosso concelho”, sublinha o dirigente, revelando, ainda, por outro lado, que a estrutura local do CDS/PP “está a crescer”. “Não só não recebemos pedidos de desfiliação, como nas últimas semanas temos recebido pedidos de refiliação e de filiação”, salienta o caldense, explicando esta movimentação com a entrada no partido de “várias pessoas que integraram as listas” autárquicas da coligação Caldas Mais Rainha.
Para Nélson Plácido, o partido “devia estar a preparar-se para eventuais eleições legislativas e com Francisco Rodrigues dos Santos na liderança”, pelo que o líder da Concelhia de Alcobaça aponta o dedo a “quem não percebeu que há uma nova geração e uma nova equipa à frente do CDS”. Há “pessoas que olharam sempre para o partido como sendo delas”, lamenta.
Para Paulo Pessoa de Carvalho, o partido “vai sair com mossas” desta crise. “Vejo esta situação com muita apreensão, surpresa e tristeza. Quem abandona o partido não o devia fazer”, considera o candidato da Caldas Mais Rainha nas últimas autárquicas, para quem a direção do partido “foi boicotada”. ■