Obra da Foz causa choque entre Vítor Marques e Tinta Ferreira

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Candidato do Vamos Mudar acusa presidente da Câmara de fazer campanha eleitoral a “expensas dos contribuintes”, com a apresentação pública da requalificação da zona marítima e lagunar da Foz

A sessão pública de apresentação do Projeto de Requalificação da Zona Marítima e Lagunar da Foz do Arelho, que a maioria PSD na Câmara das Caldas promoveu a 12 de junho, no Inatel, causou o primeiro choque entre Vítor Marques, candidato do movimento Vamos Mudar, e Fernando Tinta Ferreira, candidato a um derradeiro mandato à frente do executivo municipal.
O assunto já tinha sido abordado na Assembleia Municipal, mas a discussão sobe de tom, com Vítor Marques, em declarações à Gazeta, a acusar Tinta Ferreira de pretender fazer “campanha eleitoral a expensas dos contribuintes”.
O ainda presidente da União de Freguesias de Caldas – Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório considera que o presidente da Câmara se limitou, naquela iniciativa a propósito das celebrações da elevação da Foz do Arelho a vila, a “apresentar um conjunto de documentos e uma mão cheia de promessas para um putativo investimento em futuro incerto no valor de 8 milhões de euros”.
Alegando que o projeto teria 180 dias para ser elaborado, mas que, apesar de ter sido adjudicado em agosto de 2017, “não se encontra sequer aprovado pelas entidades competentes”, Vítor Marques considera que a “falta de eficiência do executivo” no que ao planeamento diz respeito e o “extemporâneo momento da apresentação de um conjunto de imagens pouco elucidativas”, não surpreendem. “Porque se encaixam com perfeição nos malabarismos de estratégia eleitoral a que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha já nos habituou”, justifica o cabeça de lista do Vamos Mudar, lamentando que o processo se tenha arrastado quatro anos.
Para o candidato à Câmara, a “vontade de aproveitar o ensejo para impressionar os eleitores” por parte do PSD foi tal, que “culminou com a promessa velada, de, caso não venha a existir financiamento comunitário para levar a cabo a obra, ser (talvez) o município a avançar, (talvez) em fases, com recurso a fundos próprios”, acusando Tinta Ferreira de na mesma sessão “admitir ter dúvidas quanto à existência de fundos comunitários que possam financiar o projeto” e de ter deixado cair dois projetos de relevo para a Foz do Arelho: o Plano de Urbanização da Foz do Arelho e o Plano de Pormenor da Área de Equipamento de Apoio Náutico.

Vítor Marques questiona processo e os prazos. Tinta Ferreira garante que não se deixa “afetar” por “acusações sem fundamento”

 

PSD rejeita acusações
Contactado pela Gazeta, o presidente da Câmara esclarece que a apresentação pública aconteceu “por solicitação” da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, explicando a “demora inevitável” do processo com as “muitas reuniões de trabalho com entidades externas”, aliado ao contexto de covid-19.
“Estamos de boa-fé neste processo, como em todos, pelo que rejeitamos quaisquer epítetos de estratégia eleitoral a propósito de um assunto tão importante para o concelho”, afirmou Tinta Ferreira, que lamenta a posição manifestada por Vítor Marques.
“O candidato a presidente da Câmara da candidatura que faz estas acusações acompanhou-nos durante sete anos e meio, conhece as nossas metodologias de trabalho e não discordou das mesmas, pelo que não pode subscrever este ataque de baixa política”, salientou o cabeça de lista do PSD, esclarecendo que foi cauteloso nos prazos apresentados. “Dissemos que, ‘na melhor das hipóteses’, será uma obra a concretizar em 2024/2025. Se quiséssemos ser eleitoralistas apontávamos para 2022 ou 2023 por exemplo”, frisa o social-democrata.
Relativamente ao Plano de Urbanização da Foz do Arelho, o chefe do executivo municipal salienta que “ocorreram alterações relevantes na legislação”, o que impediria a requalificação do solo “como se pretendia”. O mesmo sucede com o Plano de Pormenor da Área de Equipamento de Apoio Náutico, que obrigou a um cadastro junto à Lagoa “que se revelou de enorme dificuldade”.
“Não nos deixamos afetar por estas acusações sem fundamento. Estamos no exercício das nossas funções numa perspetiva positiva, de valorização das pessoas e do território com o objetivo de dar o nosso melhor em prol do concelho”, conclui Tinta Ferreira. ■