PCP quer intervenção do governo para apoiar produtores de leite

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Paulo Raimundo durante a visita à vacaria no Valado de Santa Quitéria

O secretário geral do PCP visitou uma vacaria e queijaria artesanal no Valado de Santa Quitéria e inteirou-se dos problemas do setor

O secretário geral do PCP, Paulo Raimundo, visitou, a 19 de outubro, a vacaria e queijaria Flor do Vale, em Valado de Santa Quitéria (Alcobaça), e associou-se ao “grito de alma” dos produtores, que vêem os custos com a produção a subir enquanto que o preço do leite tem baixado. “Queremos associar-nos a este grito de desespero de quem aguenta a produção, com muita dedicação, esforço e trabalho, ainda que a perder dinheiro praticamente todos os dias”, disse, lembrando o exemplo dado pelo proprietário da exploração, Jorge Silva, de que o custo com uma vaca, para a produção de leite, aumentou em 60%. Paulo Raimundo defende, por isso, que o governo tem a “obrigatoriedade” de intervir em duas linhas, nos custos dos factores de produção e na fixação de preços na distribuição. “Estamos perante um sector que fez um esforço tremendo para cumprir todas as ordens de Bruxelas”, disse, referindo que fecharam as pequenas produções e outras fizeram grandes investimentos em modernização para criar condições para a produção. Tudo isto levou a que se tornasse o “setor mais organizado do ponto de vista da produção agrícola”, no entanto, como contrapartida, viram o “fim das quotas leiteiras e uma Política Agrícola Comum que está a estrangular, está a ser conduzida para cumprir os interesses dos países da Europa Central”, critica. O líder do PCP atribui responsabilidades ao governo socialista, mas também ao PSD, Chega e Iniciativa Liberal, que “alinham profundamente nestas opções, que apertam os produtores e acabam por apertar as nossas vidas”. Na visita à exploração, ouviu as dificuldades do sector na primeira pessoa. Jorge Silva partilhou que o leite deve ser um dos poucos produtos agrícolas cujo preço baixou nos últimos meses. “O leite está a ser vendido pelo produtor a 46 ou 47 cêntimos” e “os custos de produção rondam os 56 cêntimos”, explicou.
Para o também presidente da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) é preciso uma tomada de posição por parte do governo se quiser manter a produção de leite nacional. Defende “apoios para compensar as perdas ou alguma coordenação da distribuição de resultados” para que as três fileiras: produção, indústria e distribuição, “se respeitem e possam ajudar mutuamente”.
De acordo com Jorge Silva todos os anos tem vindo a diminuir o número de produtores, estimando que já não cheguem a 3000 os que se mantêm em atividade. Contudo, e apesar do setor estar cada vez mais concentrado, considera que ainda não há necessidade de importação de leite.

Pescadores sem rendimentos
Os pescadores e mariscadores da Lagoa de Óbidos estão “sem rendimentos há quase dois meses por causa da detecção de toxinas nas águas”, alerta a Direção da Organização Regional de Leiria (DORLEI) do PCP, exigindo medidas. Em comunicado, realça que esta interdição tem impacto na vida daqueles profissionais e na economia regional, exigindo ao governo que, “em estreita articulação com as organizações representativas do sector, encontre soluções para este problema”, que podem passar pela garantia de rendimentos aos pescadores e mariscadores, impedidos de exercer atividade. ■