Mais de uma centena de idosos com mais de 80 anos já levou a primeira dose da vacina. Processo continua com idosos, doentes de risco e profissionais de saúde, bombeiros e polícias

No Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Oeste Norte já começaram a ser vacinadas as pessoas com mais de 80 anos. O primeiro fornecimento foi de 102 vacinas, ministradas, na semana passada, a idosos com mais de 100 anos. De acordo com a diretora deste agrupamento, Ana Pisco, a vacinação prosseguirá consoante o fornecimento que vão recebendo.
Nestes seis concelhos existem 8.820 idosos com mais de 80 anos e 6.719 pessoas com idades compreendidas entre os 50 aos 79 anos com comorbilidades (doença coronária, insuficiência cardíaca ou renal ou doença pulmonar obstrutiva crónica), o que perfaz 15.539 pessoas a vacinar contra a covid-19 nesta fase. Uma operação gigantesca, reconhece Ana Pisco, tendo em conta que o objetivo é vacinar todas estas pessoas até abril e que, juntamente com elas, ainda continuam a vacinar utentes dos lares, profissionais de segurança e de saúde. O total das pessoas a vacinar rondará as 20 mil.
Embora as vacinas estejam a chegar à Europa em menor número que o inicialmente previsto, Ana Pisco pede às pessoas que tenham “alguma calma”, pois vão ser vacinadas. “A nossa meta é ter uma grande parte da população vacinada até ao verão”, concretiza a responsável.
A ansiedade para levar a vacina é grande, mas o Aces garante que ninguém ficará de fora, tendo de ser respeitadas as prioridades. Os registos clínicos estão informatizados, com as patologias codificadas, e daí é tirada uma informação que é cruzada pelos serviços do Ministério da Saúde. A listagem é enviada e atualizada pelos médicos de família.
Nestes primeiros dias os agendamentos para a vacina estão a ser feitos por chamada telefónica, mas está a ser instalado, no centro de saúde das Caldas da Rainha, um sistema informático que faz o agendamento por SMS tendo em conta a listagem existente. Ao receber a mensagem do 2424 no telemóvel, a pessoa tem de escrever o seu número de utente e confirmar se quer ou não levar a vacina, recebendo nova mensagem com o dia e hora para a inoculação. Caso não responda será enviada nova mensagem e, se mesmo assim não houver, resposta, as equipas do centro de saúde contactam por telefone e por carta.

Ana Pisco garante que ninguém ficará sem vacina, no entanto terão de ser respeitadas as prioridades

“Esta semana estamos a vacinar todos os dias, independentemente das deslocações aos lares”, explica Ana Pisco, dando conta que os planos de vacinação podem ser alterados, no caso de surtos, e acrescidos se tiverem mais fornecimento de vacinas. Para além das Caldas, a vacinação é feita em postos instalados nos centros de saúde de Alcobaça, Nazaré, Peniche e Bombarral.
A diretora do Aces Oeste Norte chama a atenção que esta é uma vacina coletiva e que é importante que os cidadãos continuem a cumprir as regras de distanciamento social e a usar as medidas de proteção, de modo a que se consiga atingir os 70% de imunidade estimado para setembro. ■

Lares sem surtos com vacinação completa durante esta semana

Desde janeiro e até ao passado fim de semana 1.218 idosos já tinham levado a vacina completa contra a covid-19 e foram administradas 1949 primeiras doses nos 113 lares dos seis concelhos do ACeS Oeste Norte. Muitos idosos recebem a segunda dose durante esta semana, estando prevista a conclusão da vacinação nos lares onde não se registaram surtos. “Estamos já a vacinar idosos de lares que tiveram surtos e esses vão terminar mais tarde, a partir de 21 dias depois da primeira vacina” concretizou Ana Pisco.
De acordo com a responsável, o processo “tem corrido bem” apesar das dificuldades com as listagens, que “têm atualizações constantes”. “Os próprios funcionários também têm uma flutuação muito grande e isso levanta-nos problemas quando vamos fazer a segunda dose”, explicou à Gazeta das Caldas.
As listas são inicialmente enviadas pela Segurança Social mas, algumas delas, já desatualizadas, pelo que é pedido às direções técnicas o envio das listagens atualizadas. Nesse documento surge a designação Outros, que não “clarifica a categoria profissional da pessoa e se trabalha ou não naquele lar”, e que é o que, na opinião de Ana Pisco, estará na “base de toda esta confusão que se tem gerado”, com a vacinação indevida.
Já têm a vacinação completa 301 profissionais de saúde e uma centena aguarda pela segunda dose e são sobretudo assistentes técnicos e outros operacionais que estão na retaguarda, explicou a diretora do ACeS, que ainda não foi vacinada. ■