Alunos do CRDL em Erasmus em Malta superaram covid-19

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A mais de 2000 quilómetros de casa, estudantes acusaram positivo e tiveram de encontrar soluções. Uma história para mais tarde recordar

Imagine-se viver, aos 18 anos, uma experiência de Erasmus em Malta, a mais de 2.000 quilómetros de casa, e de repente, acusar positivo à covid-19. Foi isto que aconteceu em junho a um grupo de estudantes do Colégio Rainha D. Leonor, que estavam a realizar um projeto de dois meses naquelas ilhas.
O caldense Afonso Gata e o obidense Diogo Santos ficaram com uma história para mais tarde recordar. “Não tínhamos a certeza se íamos devido ao encerramento das fronteiras”, explicaram os alunos do Colégio, que ficaram instalados em Bugibba, numa casa com seis quartos. No total, eram 15 os alunos do Colégio, mas nove iriam ficar apenas um mês. Ao fim desses 30 dias, alguns regressaram a casa, tendo ficado seis portugueses na mesma casa, mas com estudantes de outras nacionalidades.
Afonso Gata foi trabalhar para o ginásio de um campeão de boxe do país e Diogo Santos numa empresa de desportos aquáticos. Numa segunda-feira normal, um deles sentiu-se mais em baixo. “Tinha dores de cabeça e no corpo e tive febre. Liguei para avisar que não ia trabalhar”, explicou o obidense. Na terça-feira já estava bem, como tinha estado no domingo, ainda assim a empresa disse que teria de apresentar um teste para voltar ao trabalho e na sexta-feira veio a resposta do teste: estava positivo.

“Foi uma experiência única. Mudou a nossa vida para melhor, aprendemos a lidar com as coisas de maneira diferente e tivemos que nos adaptar”

Diogo Santos

“Vivemos como uma autêntica família”

Afonso Gata

No total, foram 12 os infetados naquela habitação, sendo que após os primeiros cinco dias ninguém tinha sintomas. “Não houve situações graves”, conta Afonso Gata. Ainda assim, ficaram mais de três semanas retidos em casa. “Fomos tentando arranjar formas de passar o tempo, os espanhóis faziam teatro, nós, como o nosso curso é de Técnico Profissional de Desporto, preparávamos um treino físico para a tarde e ao almoço fazíamos pratos típicos de cada país”, explica.
O objetivo era precisamente ocupar a cabeça, sem entrar em stress. Outra questão foi tentar tranquilizar as famílias, que em Portugal se viam aflitas e impotentes. “Era a nossa primeira viagem independente, claro que as famílias estavam preocupadas”, assume Diogo Santos.
Como não podiam sair de casa, tiveram de encontrar forma de os bens alimentares e de higiene lhes serem entregues, através de uma app. “Vivemos como uma família”, contam. Quando receberam ordem para sair, faltavam dois dias para voltar a Portugal, sendo um deles para tratar dos documentos. “Foi uma experiência única, que nunca vamos esquecer”, disseram, acrescentando que no próximo ano querem voltar a fazer um projeto de mobilidade. A nível profissional e a nível social a viagem teve ganhos enormes, além das relações pessoais que criaram entre eles e com estudantes de várias partes do mundo. “Mudou a nossa vida para melhor, mudámos muito, aprendemos a lidar com as coisas de maneira diferente, tivemos que nos adaptar”, analisam os jovens, que até já receberam alguns amigos estrangeiros que conheceram nesta aventura. Mostraram-lhes o melhor da região e do país e estes ficaram encantados.
Ricardo Machado é o professor que coordena o Erasmus do Colégio e acompanha os alunos na primeira semana. Antes de irem fizeram um teste PCR e quando chegaram a Malta o país estava praticamente sem casos, mas a vinda de muitos estudantes estrangeiros (alguns já vacinados) para as escolas de línguas gerou uma série de surtos nas ilhas. Numa situação normal, o professor fala com os alunos duas a três vezes por semana, mas neste caso houve necessidade de um acompanhamento diário, não só ao nível da logística para assegurar as necessidades básicas dos alunos, como também a nível psicológico. ■