Auditoria revela buraco financeiro de 220 mil euros no Ceeria

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Uma auditoria aos Serviços Administrativos e Financeiros do Centro de Educação Especial, Reabilitação e Integração de Alcobaça (Ceeria) revelou a existência de um “buraco financeiro” superior a 200 mil euros e provocou o afastamento do contabilista da instituição.
Determinada pela direção de José Godinho, que entrou em funções em janeiro deste ano, a auditoria compreende o período entre 2015 e 2020, mas ainda não está concluída.
Todavia, existe já a “perceção clara” de um buraco de 80 mil euros no Centro de Reabilitação Profissional e de 138 mil euros no Centro de Recursos para a Inclusão, que resultam de resulta de “uma gestão inconsequente” daqueles serviços, afirmou à Gazeta o presidente da Direção do Ceeria, sucessor de José Belo, que esteve quase duas décadas à frente da instituição.
Neste momento, decorre a 2ª fase da auditoria interna, que incidirá sobre a sustentabilidade financeira da continuidade da obra em curso do Centro de Atividades Ocupacionais e do Lar, investimentos levados a cabo pelos anteriores órgãos sociais do Ceeria.
A descoberta deste “buraco financeiro” levou já a um encontro entre José Godinho e José Belo para “obter esclarecimentos”.
Contactado pela Gazeta, o ex-presidente do Ceeria manifesta “tristeza e constrangimento por ver o nome do Ceeria envolvido numa polémica desta natureza”. José Belo diz verificar que o novo presidente da instituição “está muito mais preocupado com o seu bom-nome do que com o bom-nome do Ceeria” e acusa José Godinho de proceder a “afirmações que pecam por ligeireza e leviandade”.
O antigo presidente não entende “como é possível” falar de um buraco financeiro, quando, no dia 28 de dezembro de 2020, antes de terminar o mandato anterior, “havia quase 800 mil euros depositados nas contas bancárias do Ceeria”.
Para José Belo, poderão estar em causa eventuais procedimentos internos, mas não “um buraco financeiro”, explicando o resultado da auditoria com a “vontade de desacreditar a Direção anterior”. “O que resulta daqui é o descrédito do Cerria. É um profundo desgosto ver a instituição a que nos dedicámos sem receber nada em troca para nos vermos atingidos de uma forma que não gosto de classificar”, declarou o ex-dirigente.
Por seu turno, José Godinho, que antes de ser eleito presidente da Direção do Ceeria era diretor de Recursos Humanos da instituição, diz que os órgãos sociais estão nesta fase “a movimentar todos os esforços com parcerias ativas para reerguer” a entidade. ■