Comissão de utentes teme falta de médicos no Centro de Saúde do Bombarral

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O auditório municipal não teve capacidade para todos os bombarralenses que quiseram participar

O pedido para a aposentação de seis dos oito médicos ao serviço do Centro de Saúde do Bombarral levou à constituição de uma comissão de utentes cujos elementos fundadores foram surpreendidos no passado domingo, 30 de Janeiro, com uma adesão muito acima das expectativas à primeira reunião pública que promoveram e onde foi aprovada uma moção sobre os problemas de saúde no concelho.
Centenas de pessoas deslocaram-se ao auditório municipal da vila cuja capacidade ficou aquém do número de participantes. Os ânimos chegaram a exaltar-se porque todos queriam ouvir o que a comissão tinha para dizer, mas depressa serenaram depois de ser tomada a decisão de deslocar a reunião para o anfiteatro no exterior.
Os populares, muitos dos quais idosos, aguentaram estoicamente ao frio que se fazia sentir, para que no final fosse aprovada por unanimidade uma moção a exigir resposta do ministério de Saúde para a eventual falta de médicos que possa vir a acontecer, tendo em conta que a maioria dos profissionais colocados naquele centro de saúde pediu a aposentadoria.
“Exigimos que o centro de saúde seja dotado de um médico por cada 1.500 utentes”, refere o texto.
A moção exige ainda a reabertura da unidade de cuidados de saúde personalizados aos sábados, domingos e feriados (actualmente encerra às 13h00 nesses dias).
A comissão deu um prazo até 21 de Fevereiro para ter resposta por parte das autoridades competentes, mas até lá vão estar presentes na próxima reunião pública da Câmara Municipal e na Assembleia Municipal.
Ficou ainda no ar a possibilidade, sugerida por uma das bombarralenses participantes na reunião, de se realizar uma manifestação em frente ao centro de saúde.

Movimento quer precaver eventual encerramento do Centro de Saúde

Mário Morgado, porta-voz do movimento, salientou que ao longo dos últimos anos tem havido uma sucessiva degradação das condições de acesso à saúde no Bombarral. Os serviços administrativos foram reduzidos e o SAP foi encerrado, para além da redução do horário da unidade de cuidados de saúde personalizados ao fim-de-semana.
Para além disso, lamenta que os médicos à medida que se vão aposentando não são substituídos “o que levou a que a extensão de saúde na freguesia do Pó tenha sido encerrada”. A moção aprovada no domingo passado também exige a reabertura desta extensão.
O Centro de Saúde do Bombarral chegou a ter dez médicos e actualmente tem oito, sendo que seis, como foi referido, já pediram a sua aposentação. “Tendo em conta as experiências anteriores e o que se fala sobre a escassez destes profissionais de saúde em todo o país, tememos que fiquemos apenas com dois ou três médicos para uma população de 15.500 utentes”, referiu.
A comissão quer mesmo tomar medidas assertivas de modo a precaver um eventual encerramento do centro de saúde do Bombarral por falta de médicos, apesar de não haver indicações que isso possa acontecer.
Desde Setembro que a comissão se constituiu e já foram recebidos pelo presidente da Câmara e pelos autarcas das Juntas de Freguesia (excepto com a do Pó que não os terá recebido).
“A nossa intenção da primeira reunião pública com a população foi esclarecer a situação actual, pedir-lhes o seu aval para poder representá-los e tomar algumas decisões”, o que viriam a obter por unanimidade de todos os presentes.
Muitos dos bombarralenses que estavam no local estranharam o facto do presidente da Câmara do Bombarral não ter estado presente nesta reunião pública.

Pedro Antunes
pantunes@gazetadascaldas.pt