Jovens voluntários reabilitaram quatro casas em dez dias em Óbidos

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Os jovens voluntários junto do “mestre de obra” que os acompanhou na recuperação da habitação no Sobral da Lagoa

Associação Just a Change, que se dedica a reabilitar casas de pessoas em situação de pobreza habitacional, realizou em Óbidos o primeiro campo deste verão

Mafalda de Molinar é natural de Santarém e estuda Engenharia Biomédica em Lisboa. Há algum tempo que queria participar no projeto Just a Change e estreou-se, este ano, no campo de Óbidos, na reabilitação de uma moradia no Sobral da Lagoa. Fez de tudo: desde partir paredes para rebocá-las, a carregar tijolo e ajudar a fazer o telhado, juntamente com os outros quatro membros da equipa.
“Não é fácil, temos muito trabalho, mas também é muito gratificante”, conta a jovem, de 21 anos, destacando a ajuda dos dois mestres de obra, profissionais que estão nas obras com os jovens, ajudando-os a concretizar as tarefas.
“Estão sempre prontos a ensinar e com muita paciência. Com essa ajuda conseguimos fazer quase tudo”, remata a voluntária, que considera que poder ajudar a “fazer a diferença na vida de pessoas que vivem sem as mínimas condições, é mesmo muito importante”.
A coordenação da obra cabe à designer de produto, Francisca Lobo Machado, de 27 anos, e voluntária na associação há quatro. É ela quem gere as tarefas diárias e organiza o grupo para que tudo funcione da melhor forma. A maioria dos voluntários faz este tipo de trabalho pela primeira vez, mas a falta de experiência não é impedimento para a boa execução das tarefas.

Cerca de 80% dos jovens, oriundos de todo o país, participam pela primeira vez num campo de verão da associação

“Neste projeto o importante é ter força de vontade e querer ajudar”, explica a jovem, acrescentando que, em conjunto, conseguem reabilitar as casas. No caso concreto desta moradia, começaram por limpar todo o local, retirar o telhado que era em chapa e colocar outro, em telha. Fizeram uma pequena casa de banho e cozinha e deixaram as paredes preparadas para a instalação de eletricidade e água.
Óbidos foi o primeiro campo deste ano da associação (a par de Sever do Vouga) com os jovens a reabilitar quatro casas, duas na União de Freguesias de São Pedro, Santa Maria e Sobral da Lagoa e outras duas na do Vau. A intervenção decorreu entre 4 e 18 de julho e, dois dias antes de terminar e já em fase de acabamento das obras, Hugo Azevedo, gestor de projeto, fazia um balanço positivo dos trabalhos.
“Os voluntários estão a gostar, os beneficiários estão contentes”, sintetiza o jovem à Gazeta das Caldas. Cerca de 80% dos participantes neste campo de verão fazem-no pela primeira vez e vêm de áreas tão diferentes como a psicologia, enfermagem, engenharias ou arquitetura.
Este ano, para além das contingências sanitárias, os jovens voluntários debatem-se também com as dificuldades da escassez de material para a construção e de mão de obra. “Fiz uns 40 a 50 telefonemas, até conseguir arranjar quatro empreiteiros, o que está a tornar o desafio ainda maior este ano”, concluiu Hugo Azevedo. ■

 

“Todos os anos há experiências novas, isso é gratificante para nós e para os jovens”

Desde 2016, ano em que o projeto começou a decorrer em Óbidos, já foram recuperadas 24 casas no concelho. Mas, mais do que a reabilitação habitacional, esta iniciativa possibilita também uma mudança na vida dessas famílias. “Todos os anos há experiências novas, isso é gratificante para nós e para os jovens”, explica o vereador José Pereira, acrescentando que também os beneficiários os vão ensinando como reagir em determinadas circunstâncias.
O valor estimado da execução desta ação é de quase 38 mil euros, assumido pelo município e pelo banco BPI, que se juntou à campanha. Os jovens ficaram alojados num espaço cedido pela paróquia da Amoreira e em duas casas do município, foram divididos em grupos e testados de três em três dias. As juntas de freguesia também colaboraram, assim como a comunidade. Os Silver Coast Volunteers já se disponibilizaram para apoiar estas pessoas com bens de que necessitem, como um frigorífico ou televisão.
“Este é um projeto que não acaba nestes 10 dias em que decorre o campo porque há um conjunto de parceiros que estão no terreno e vão tentar complementar o que falta, nomeadamente ao nível do apoio social”, refere José Pereira. O autarca defende a sua continuidade porque existe necessidade e, embora este campo de Verão tenha acabado no domingo, “já se estão a dar os primeiros passos para o próximo”. ■