Maria Evangelina fez 100 anos e celebrou-os com toda a aldeia

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Maria Evangelina Bernardino ladeada pelos filhos, Mabilde e José Machado

Cerca de 250 pessoas juntaram-se na associação do Casal Pardo (Alfeizerão) para assinalar um século de vida da “amiga de todos”, como realçou a aniversariante

O desafio tinha sido lançado pela própria Maria Evangelina Bernardino: se chegasse aos 100 anos gostaria de os festejar com a família e todas as pessoas da sua aldeia e ter um bolo do seu tamanho. O dia 15 de junho de 2024 chegou e, no dia seguinte, domingo, o festejo fez-se na Associação Recreativa Desportiva Cultural e Social do Casal Pardo, primeiro com um almoço com a família e, a partir das 16h00, com uma festa aberta à comunidade, que juntou cerca de 250 pessoas. “Convidei, pessoalmente, todas as pessoas da aldeia, mas como ela dizia que era para o Casal Pardo e arredores, colocámos também o convite nas redes sociais, bem como flyers nos estabelecimentos comerciais da aldeia para que vissem e pudessem também vir festejar”, partilhou a filha, Mabilde Machado. O único desejo que não se concretizou foi a presença do Presidente da República, apesar deste também ter sido convidado.
Ao final da tarde foram cantados os parabéns, acompanhados ao som das concertinas d’ Óbidos. Em cima do palco Maria Evangelina Bernardino batia, energicamente, as tampas de panelas (tal como costuma fazer, com os familiares, na noite de passagem de ano, na sua rua, para celebrar). A aniversariante agradeceu a presença de todos, feliz por estar rodeada de amigos. “Estou bem disposta e gostei de ver esta gente toda. Se cá vieram é porque gostam de mim e eu gosto de todos eles”, manifestou.

Cerca de 250 pessoas cantaram os parabéns à centenária

Dois filhos, duas netas e três bisnetos
Nascida a 15 de junho de 1924 no Casal Norte (Alfeizerão), Maria Evangelina Bernardino era a mais velha de três irmãos (ambos já falecidos). Filha de agricultores, cedo conheceu a profissão. Os irmãos tiveram oportunidade de estudar, mas à primogénita foi-lhe entregue a lida da casa e a ajuda nos trabalhos agrícolas. “Ainda hoje diz, com uma certa tristeza, que a caneta dela era uma foice para apanhar as ervas”, recorda a filha, Mabilde Machado.
Viria a casar com José Machado e, com o matrimónio, muda-se para o Casal Pardo. Ele era agricultor e pedreiro e ela ocupava-se da lida da casa, do tratamento dos animais e ajudava o marido na agricultura. Da união nascem dois filhos, José Machado, atualmente com 74 anos, e Mabilde Machado, com 65 anos. Tem duas netas e três bisnetos.
O tratamento a um problema oncológico, há cerca de duas décadas, levou Maria Evangelina Bernardino até à Suíça, onde a filha estava emigrada. Conhecer mundo também lhe permitiu “inovar”, salienta a neta Catarina Machado, lembrando que passou a vestir calças, a fazer ginástica e a estar na loja de roupa da filha, conhecendo as novas tendências. Viúva desde 2001, a centenária continua em sua casa e é a filha que se ocupa dela. “Ainda confecciona o pequeno almoço, a higiene pessoal, faz as refeições de forma autónoma e faz caminhadas diariamente com a filha. “Dobra-me a roupa, até porque foi sempre muito arrumada e meticulosa”, complementa Mabilde Machado, lembrando que a progenitora gostava de costurar e era ela quem fazia a roupa dos filhos e de trabalho do marido. ■