Música celebra Abril nas Caldas da Rainha

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As cerimónias de hastear das bandeiras realizaram-se na manhã do dia 25 de abril

O segundo ano em que se comemorou o 25 de Abril em pandemia foi marcado pela apresentação de momentos musicais e cerimónias protocolares

“Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas nas quais se devem conservar com a máxima calma”. O primeiro comunicado do MFA foi um dos emblemáticos sons utilizados pelos Dj’s caldenses Stereossauro e Ride no concerto Abril Jovem, que abriu as comemorações do 25 de abril nas Caldas. A dupla misturava frases como esta ou os gritos “O povo unido jamais será vencido” e “liberdade”, com música contemporânea, criando uma nova música.
A dupla tocou a partir de uma varanda do edifício do moinho que serve de sede à União de Freguesias de Caldas da Rainha – Santo Onofre e Serra do Bouro. Durante cerca de 45 minutos foi possível apreciar “Vento”, “À noite”, “FFFFF”, “Nunca Pares” ou os “Verdes Anos”, do último álbum de Stereossauro, Bairro da Ponte (e que parcialmente se inspira precisamente na ponte que é visível do moinho e que liga o bairro onde o Dj nasceu ao centro histórico da cidade termal).
Mas o concerto foi muito além das músicas que constituem esse último álbum. A dupla apresentou também apontamentos musicais de intervenção, por exemplo, com a utilização de temas de Zeca Afonso, como os “Vampiros”, “Canção de Embalar” ou a “Grândola Vila Morena”, mas também a “Liberdade” de Sérgio Godinho.
Já no último ano havia sido Stereossauro o artista escolhido para levar os sons de Abril aos caldenses, então com um concerto que assinou a partir da marquise da cozinha… Este ano, em vez de ser um liveset transmitido ao vivo, a atuação foi gravada e apresentada na noite de 24 de abril.

E Depois do Adeus
Logo após o final do concerto da dupla de Dj’s caldenses, que já foi duas vezes campeã do mundo, às 22h55 do dia 24 ouviu-se a canção “E Depois do Adeus”.
O arranjo, que juntou o cantor Carlos Caldas e a Banda Comércio e Indústria, foi apresentado também via redes sociais e a hora escolhida foi simbólica. É que foi precisamente às 22h55 que, a 24 de abril de 1974, essa canção foi utilizada como senha para fazer avançar a Revolução dos Cravos.
Cerca de 40 músicos da BCI, dirigidos pelo maestro Adelino Mota, gravaram as suas participações a partir de casa. Seguiu-se o trabalho de edição e junção de todas as partes num vídeo a apresentar nas comemorações do Dia da Liberdade.
“Continuamos em casa e à semelhança do ano passado, comemoramos o 25 de Abril separados, sem farda, mas juntos pela BCI”, referiu o maestro Adelino Mota, salientando a “esperança de voltar ao Largo Rainha D. Leonor para o habitual concerto inserido nas comemorações do 25 de Abril”, um sentimento partilhado por todos.

Cerimónias protocolares
Na manhã do dia 25 de Abril realizaram-se as cerimónias de hastear das bandeiras nas sedes das uniões de freguesias do concelho e também no edifício dos Paços do Concelho, contando com a Fanfarra dos Bombeiros.
No fim da cerimónia a Columbófila soltou, como é tradição, os pombos na Praça 25 de abril.
Durante o resto do dia, a música continuou a ser a forma escolhida para celebrar a Liberdade. O quinteto de metais da Banda Comércio e Indústria apresentou-se na varanda da sede da União de Freguesias de Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório.
Esta pequena atuação suscitou a curiosidade e, no final, também o aplauso de quem estava na Praça da Fruta.
Durante a tarde foram também partilhadas através da Internet as atuações do Orfeão Caldense e do Coral das Caldas. Os mais de 20 elementos do Coral das Caldas cantaram “Só ouve o Brado da Terra”, de Zeca Afonso, numa atuação que juntou a participação de cada um a partir das suas casas, à semelhança do que foi feito pela BCI. Já o Orfeão Caldense optou por partilhar uma atuação das comemorações do 25 de abril de 2018, ainda sem pandemia e sem máscaras, onde os cerca de 30 cantores e músicos apresentavam o poema musicado de Ermelinda Duarte, “Somos Livres (Uma gaivota voava, voava)”.
Pelas ruas da cidade, durante o dia 25, reinava a calma destes tempos de pandemia, com pouca gente e movimento. ■

O concerto dos Dj’s Stereossauro e Ride na sede da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro foi gravado e apresentado nas redes sociais

 

Às 22h55 do dia 24 de abril, a Banda Comércio e Indústria e o cantor Carlos Caldas apresentaram “E Depois do Adeus”, a música que a essa hora, em 1974, foi utilizada como senha para fazer avançar a Revolução dos Cravos