Adelino Mota vai estrear projeto Lusitanus Ensemble no Centro Cultural

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O novo grupo de 16 músicos profissionais vai apresentar-se ao público nas Caldas estreando obras contemporâneas, escritas para esta formação

O maestro Adelino Mota retomou os ensaios com o Lusitanus Ensemble e obteve um financiamento de 40 mil euros da Direção Geral das Artes para levar o projeto musical a avante. Trata-se de um projeto com 16 músicos profissionais e que integra duas Flautas, um oboé, dois clarinetes, dois saxofones altos, dois saxofones tenores, um saxofone barítono, uma trompa, dois trompetes, um trombone, uma tuba e percussão (tímpanos, xilofone e acessórios).
Através desta formação pretende-se que o público “possa imaginar uma orquestra, estando num ambiente de música de câmara”. A formação integra músicos que são docentes em várias escolas do país (incluindo o Conservatório das Caldas) e vão estrear oito peças originais de compositores contemporâneos que desde 2005 escreveram para este grupo, projeto que volta agora aos palcos nacionais.
Entre os músicos há uma flautista caldense, Beatriz Marques, que iniciou o percurso na Banda Comércio e Indústria e que, neste momento, se encontra a estudar na Academia Superior da Orquestra Metropolitana de Lisboa.
Entre os compositores – a quem foram encomendadas obras para este agrupamento – conta-se o alcobacense Daniel Bernardes. Os temas foram gravados no CD “Música do Século XXI”, que está em finalização. O álbum foi dado a conhecer em primeira mão ontem na Antena 2 e vai ser apresentado ao público a 7 de maio no CCC nas Caldas. “Quis que a estreia fosse cá, pois esta é a minha terra de adoção”, disse Adelino Mota, natural de Valado dos Frades, mas a viver nas Caldas há 30 anos.

Projeto Lusitanus Ensemble vai
estrear-se no
CCC a 7 de maio

O maestro tem mais seis concertos marcados para 2021 com o Lusitanus Ensemble, um projeto “muito desafiante” não só para os músicos como para quem dirige o grupo. “São peças que vão ficar na história da música portuguesa”, garante o maestro, referindo-se a composições de Alexandre Delgado, Anne Victorino d’Almeida, Bernardo Sassetti, Eurico Carrapatoso, Carlos Azevedo, Carlos Marques, Daniel Bernardes e Mariana Vieira. “Os temas são muito diferentes e têm uma execução exigente que leva, muitas vezes, os instrumentos ao seu limite”, afirmou.

Valado soma 24 anos de jazz
No dia a seguir à estreia do Lusitanus Ensemble nas Caldas, Adelino Mota terá o primeiro concerto da 24ª edição do Jazz do Valado. Tal como na edição anterior, os concertos não vão ter lugar na BIR, mas sim nas instalações do Clube Valadense, que têm capacidade para 300 pessoas. “Só vamos receber 120 pessoas por concerto para garantir o distanciamento”, disse o responsável, acrescentando que se mantém um espírito desta realização onde quem assiste às atuações pode fazê-lo sentado em mesas como num clube jazzístico.

A 24ª edição do festival Jazz do Valado começa no dia seguinte e terá dez concertos

“Os concertos da edição anterior esgotaram e espero este ano se volte a repetir o feito”, disse Adelino Mota, enquanto explica a aposta deste ano: a Big Band da Nazaré atua, a 8 de maio, com um artista convidado que não é da área do Jazz, o cantor FF.
Outras das preocupações é a formação de públicos e, como tal, haverá um concerto comentado, durante a atuação de um quinteto, a 30 de maio.
As atuações, que vão decorrer na maioria aos fins de semana até 5 de junho, apostam na diversidade estética e sonora, num festival que, desde a primeira hora, conta com o apoio da Direção Geral das Artes e se tornou uma referência. Se hoje em dia já se pode ouvir jazz no Oeste, durante muitos anos era necessário fazer a viagem a Valado dos Frades para escutar as referências desta área musical.
“Continuamos a ser o motor das restantes realizações da região”, disse o organizador de um festival “onde se assiste ao que é novo e que vale realmente a pena”. Em média, nesta realização já aconteceram 144 concertos e já atuaram pelo menos 576 músicos. “A escolha nunca é aleatória. O critério sempre foi e é a qualidade”, disse o responsável, que dirige outros grupos como a caldense Banda Comércio e Indústria cujos elementos têm mantido atividade on-line. O maestro não é fã dos concertos mediados. Durante o confinamento, os músicos optaram por manter contacto com o público através das redes. O problema é que “estiveram a dar a única coisa que tem para vender”, frisa Adelino Mota, indicando a nota final. ■