Alunos de teatro da ESAD organizaram o Ofélia 10.5

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Este ano realizou-se a edição 10.5 do festival Ofélia com uma dezena de peças, workshops e mesas redondas. O evento é anualmente organizado pelos alunos do 2º ano da licenciatura de teatro da ESAD

Num ano ainda marcado pela pandemia, os alunos do 2º ano da licenciatura de Teatro da ESAD apresentaram o Festival Ofélia 10.5. Um número diferente, uma vez que no último ano não foi possível realizar a décima edição.
Sob o tema “Fragmentos”, entre os dias 26 e 29 de maio, foi apresentada uma dezena de peças de teatro, principalmente na escola, mas também pela cidade (no sábado, durante o dia, o festival saiu da escola e veio para o centro histórico da cidade das Caldas, com a apresentação de peças no Parque D. Carlos I, no Céu de Vidro e também nos Museus da Cerâmica, Leopoldo de Almeida e no do Hospital Termal e das Caldas).
Este ano, a organização viu-se obrigada a privilegiar os espaços exteriores, abertos, para minimizar os riscos de contágio.

No último dia os alunos levaram o festival a sair para a rua e transportaram o teatro para o centro histórico da cidade das Caldas

O festival Ofélia é uma organização dos alunos do 2º ano de Teatro e termina sempre com uma cerimónia de encerramento em que os estudantes passam o testemunho aos do 1º ano do mesmo curso, que ficam, assim, responsáveis por, no ano seguinte, manter viva aquela iniciativa.
No encerramento do festival dois antigos projetores de acetatos foram utilizados com uma nova função, mostrando que com pouco se consegue fazer muito. Com recurso a taças, água e tinta, os alunos foram projetando imagens na fachada da biblioteca escolar.
Em frente à biblioteca, o público distribuía-se, alguns em pé, outros sentados numa grande manta que foi costurada de propósito para este efeito.
Marta Guimarães, da organização, agradeceu a todos os que tornaram possível a organização do evento, onde se incluíam, por exemplo, os seguranças da escola, que os deixaram ensaiar, por vezes, fora de horas.
Um dos grandes desafios da organização deste ano foi a transmissão do festival em live-streaming através das páginas do evento nas redes sociais, por forma a chegar a mais público.
“Foram quatro dias a trabalhar de manhã à noite, demos tudo”, resumiu à Gazeta das Caldas Marta Guimarães, acrescentando que tiveram mais ajuda do que inicialmente esperavam. “Nós mostrámos resiliência”, afirmou a porta-voz.
Entre as necessidades devido à pandemia esteve, também, a duplicação de espetáculos, para permitir menos público em cada sessão e assim evitar grandes ajuntamentos.
A estudante disse, ainda, que esta edição do Ofélia teve o condão de “unir toda a gente, unir os alunos da ESAD e unir a escola com a cidade”.

Professora orgulhosa
No final, a professora Margarida Tavares, responsável pelo festival, disse-se “orgulhosa, acima de tudo, pela capacidade, pela entrega, pelo empenho e pela organização dos alunos”.
A docente mostrou-se “muito confiante nas competências delas”, deixando ainda votos de “que o futuro lhes sorria”.
Margarida Tavares fez notar que a organização do Ofélia 10.5 foi “um exercício grande e de alguma complexidade” especialmente por nos encontrarmos a meio de uma pandemia. “Há que pensar em novas maneiras e novas formas de continuar, não podemos baixar os braços”, resumiu a professora.

Vertente formativa
No último dia do festival, 29 de maio, realizou-se uma mesa redonda online, através da plataforma Zoom, sobre “cenografia online”.
Orientado por Henrique Ralheta, o evento contou com a presença dos convidados João Brites, Fernando Ribeiro e Junior Rodrigues, quatro cenógrafos que partilharam os desafios que a atividade online lhes coloca no exercício da sua atividade.
Em termos formativos houve ainda o workshop “Interpretando a Canção”, com Kika Tristão e Karlla Guimarães.
Outro dos workshops foi ministrado por Daniel Coimbra e dedicava-se à luz e ao som. “Ilumina-te”, era o nome da formação.
Como o objetivo do Ofélia é também o intercâmbio com outras escolas, esta edição contou com a participação de alunos das universidades do Minho e de Évora e da Escola Superior de Teatro e Cinema.