O agrupamento de câmara trouxe um programa de marchas e polcas ao centro da cidade

A esplanada situada junto ao parque infantil da Avenida da Independência Nacional transformou-se em palco para um concerto acústico no serão do dia 23 de Julho. Eram 21h30 quando o Quinteto del’arte Ensemble – constituído pelo caldense Ricardo Santos (fagote), Miguel Costa (clarinete), David Carreira (trompa) e Natália Monteiro (flauta) – iniciou a sua actuação.
O grupo interpretou um programa de marchas e de polcas de compositores desde o século XVII até à primeira parte do século XX. Alguns curiosos vieram às janelas mas a adesão do público não foi massiva.
Aos poucos, alguns transeuntes acabaram por se reunir – com a devida distância social – para assistir a esta actuação. Alguns moradores que vieram passear os seus animais de estimação, acabaram por ficar e assistir à actuação que chegou perto da uma hora e que foi fortemente aplaudida no final por quem ouviu, junto ao parque infantil e também nalgumas varandas e janelas daquela zona.
O fagotista caldense Ricardo Santos contou à Gazeta das Caldas que este foi o seu primeiro concerto pós-confinamento. O músico gostou de actuar ao ar livre e acha que é importante que estes festivais tragam animação nas noites de Verão.

Segunda edição no Parque

“É importante podermos regressar, retomando lentamente as actuações”, contou o intérprete. Na sua opinião faria sentido apostar numa segunda edição deste festival “Clássico nos Bairros”, que também poderia ter lugar nalguns espaços do Parque D. Carlos I.
Ricardo Santos considera que é preciso levar mais música clássica ao público incluindo, por exemplo, em mais programas televisivos. “Há mais gente jovem a interpretar programas clássicos, idades que depois não se reflectem nas plateias”, explicou o músico, que considera importante investir nesta área. Sugere, até, que as autarquias apostem numa programação mais regular, convidando mais grupos de câmara a actuar nos seus espaços.
O festival “Clássico nos bairros” incluiu concertos na Avenida, na Encosta do Sol, no Bairro Azul, dos Arneiros, da Ponte e nas quintas da Cutileira e dos Canários. Segundo o director artístico Adelino Mota, “as pessoas têm agradecido o facto de fazermos chegar música às suas residências”. Os concertos mais aplaudidos foram os das quintas da Cutileira e dos Canários. “Também temos recebido retorno positivo através das redes sociais, onde as pessoas têm partilhado as actuações”, contou Adelino Mota acrescentando que esta primeira edição teve características muito próprias por causa da covid-19. Os concertos mantiveram-se acústicos, pois destinam-se a poucas pessoas.
Para Rogério Rebelo, director do Centro da Juventude, a iniciativa foi “muito positiva” e não esquece os agradecimentos vindos das varandas e janelas.
“É sempre bom trazer animação aos vários espaços da cidade”, comentou o organizador deste festival que levou oito concertos à porta das casas de muitos caldenses.