
Artista caldense foi convidada a expor no Grande Porto. Mostra está patente até julho
“Estado Latente” é a exposição da ceramista caldense Elsa Rebelo, que abriu ao público a 28 de março, na Casa da Eira da Fundação Gramaxo, na Maia.
A autora apresenta 50 peças feitas em olaria onde não faltam vários bustos e cabeças de mulher. Na sua intervenção, durante a inauguração, Elsa Rebelo partilhou com os presentes um pouco sobre as suas raízes. Filha de ceramista, a artista fez questão de referir a sua passagem pelo Cencal onde “aprendeu muitas técnicas cerâmicas com verdadeiros mestres”, incluindo o pai que também ensinou naquele centro de formação.
“Transporto comigo o meu passado cerâmico”, contou a autora acrescentando que usa as técnicas de cerâmica centenárias relacionadas com a roda, a mistura dos pigmentos e também o facto de usar vários tipos de barros.
“Todos os materiais que uso vêm debaixo dos meus pés desdes as várias argilas aos pigmentos”, contou a autora.
Elsa Rebelo é a diretora artística da Fábrica Bordallo Pinheiro desde 2010 onde também acompanha os artistas que vão trabalhar e criar novas obras na histórica fábrica caldense.
Também dá a conhecer aos grupos o espaço museológico da fábrica e em todas as vertentes do seu trabalho “tento sempre elevar a cerâmica a um patamar maior”, disse a artista que explorar o lado poético da cerâmica abordando temas relacionados com a identidade e o feminino.
Nesta mostra, Elsa Rebelo conta que, com as suas obras, “procuro outras valências da terra, a sua voz”. No seu texto sobre a mostra, a artista revela que explora as características e potenciais dos materiais cerâmicos e “concedo-lhes a liberdade de sair do estado latente em que se encontravam, criando novos sentidos e espaço de expressão, dando lugar a novas interpretações e identidades”.
Já no texto da curadora da mostra, Laura Castro, esta explica que no seu trabalho Elsa Rebelo “aprecia o acaso, a surpresa e o inesperado que esta prática lhe proporciona.
Dá a conhecer que a artista “é detentora de uma longa proximidade à técnica e à tecnologia da cerâmica, com as quais convive desde criança”. Destaca também que a autora mantém uma relação profissional e artística com a cerâmica, só que não lhe interessa “o controlo total do processo criativo”. O resultado do seu trabalho será, portanto, “uma colaboração entre as matérias e a sua transformação, desde a roda de oleiro, ao forno e à pintura”.
A expôr por todo o país
Além da ligação à cerâmica, Elsa Rebelo formou-se em Animação Cultural pela ESAD.CR, escola onde também já lecionou disciplinas relacionadas com a cerâmica.
A artista expôs “Onírica” (2023) no Paço dos Condes, no Castelo de Ourém e apresentou “Substantivo Feminino” (2021) na Galeria Artur Bual, na Amadora, onde explorou temas de identidade e feminilidade.
Em 2019, apresentou “À Roda” no Museu de Olaria, Barcelos, uma exposição que homenageou a tradição oleira.
Em 2018, realizou “Inside Out” no Museu da Covilhã, trazendo uma reflexão sobre o diálogo entre interior e exterior, algo que é essencial na sua obra cerâmica..
A artista integrou exposições coletivas como “Escultura, Objectos e Cerâmica” (2021) na Galeria São Roque, Lisboa, e “Sítios do Barro II” (2021) no Complexo da Levada, Tomar. Também integrou a XIII Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro (2017).
“Estado Latente” está patente na Maia até ao próximo mês de julho. A Fundação Gramaxo – que conta com um espaço museológico desenhado por Siza Vieira – fica na Quinta da Boa Vista, na R. Conselheiro Costa Aroso 601, no centro da Maia.











