Empreendedora caldense lançou marca própria de malas e carteiras

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Júlia Valentim é uma voz conhecida da maioria dos caldenses. A cantora, que estava a trabalhar num hotel, decidiu mudar de vida e lançou a Maria Fula

 

Maria Fula é o nome da marca de acessórios têxteis (carteiras, malas, mochilas e bolsas) que a caldense Júlia Valentim lançou, quando decidiu mudar de vida e apostar na sua felicidade.
Em 2018, a cantora trabalhava numa unidade hoteleira na Foz do Arelho, mas não se sentia totalmente feliz, até porque os vários empregos que tinha tido implicavam com a atividade musical, uma paixão de menina que ainda mantém. “É muito complicado estar na música e ter um trabalho entre as 9h00 e as 18h00”, realça a caldense à Gazeta das Caldas, fazendo notar que se via obrigada a recusar muitos concertos e atuações.
O gosto de costurar é anterior e começou por volta de 2012, quando estava desempregada. “Estava um pouco em baixo e tive amigas que me emprestaram máquina, linhas e tudo”, conta. E assim começou. “As pessoas iam dizendo bem do trabalho e tentei conciliar com a música, mas não era possível”, recorda.
Foi, então, trabalhar para a Casa Felizardo, uma conhecida loja nas Caldas que vende… máquinas de costura. Trabalhou lá durante um ano e meio e adquiriu conhecimentos. Até chegar à unidade hoteleira na Foz do Arelho teve outros trabalhos, mas nenhum lhe dava a flexibilidade necessária para soltar a sua (característica) voz.
Uma das maiores dificuldades de quem lança um negócio é “a incerteza de não saber” quanto irá receber, mas do outro lado da balança está uma “maior felicidade”.
Nesta busca da felicidade, a artista realça a importância de não ter estado sozinha. “Tive amigas que me apoiaram sempre e me incentivaram”, faz notar, salientando o papel da amiga Joana Melo, nutricionista, mas que é apaixonada pela fotografia, sendo responsável por essa área e pela gestão das redes sociais da marca. “Sozinha era impossível”, admite.
O nome Maria Fula é o nome da mãe da artista, que não conheceu. Os Fula são uma tribo que vive em vários locais de África e esta foi uma homenagem que fez à progenitora. “Também escrevo poesia e assinava como Maria Fula”, conta Júlia Valentim, que nasceu em Angola, salientando que sempre manteve os seus poemas muito escondidos.
A marca Maria Fula não tem uma loja física, sendo os produtos vendidos noutras lojas e através dos meios digitais. A maior parte das peças são para um público feminino, mas entre os produtos também há opções para homem. A peça que tem mais procura é uma carteira que tem um compartimento para os cartões e outro para as moedas. Os acabamentos e as cores vivas e quentes dos tecidos, a recordar as origens africanas, têm sido elogiados.
Júlia Valentim começou a cantar ainda em criança. “De uma pedra mais alta fazia um palco e de um pequeno tronco fazia um microfone”, recorda. A cantora residente da Big Band da Nazaré há 14 anos já integrou inúmeras formações e bandas, já atuou em grandes palcos, como a Casa da Música, o Teatro São Luiz e o CCC, “que é uma casa espetacular” e já participou em concursos televisivos. Já cantou com Rita Guerra, Sónia Tavares, Marisa Liz, entre outros.
Atualmente tem uma formação com o guitarrista caldense Fernando Lopes. “Estou sempre disponível para concertos!”, exclama, enquanto termina mais uma carteira. ■