Gardunhos percorrem quatro séculos de História portuguesa em canções

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O grupo estreou-se no auditório da Casa da Música com um espetáculo no sábado à noite, que repetiu no domingo à tarde

O projeto músico-literário, que junta cinco músicos e um ator em palco, foi apresentado em Óbidos, no passado fim de semana, com dois espetáculos inseridos no Mercado Medieval

Os irmãos António e Rui Correia, Carlos Karella, Paulo Seixas e Nuno Ferreira são os músicos que compõem os Gardunhos, juntamente com o ator José Ramalho. Com “estreia mundial” no auditório da Casa da Música, em Óbidos, o projeto consiste numa fusão experimental entre a música tradicional portuguesa e uma afeição pela era medieval lusa e pela cultura, mentalidade, história e estética medievais. Ao longo de mais de uma hora, foram interpretadas 12 canções que percorrem quatro séculos da História portuguesa, tomando por referência alguns dos seus mais empolgantes momentos. Inspirado nos “Contos Arrepiantes da História de Portugal”, escritos por Rui Correia e António F. Nabais, António Correia compôs diversas canções, nas quais criou novas figuras, escolheu ângulos diferentes, que foi enviando ao irmão. Rui Correia gostou muito do material que ia recebendo e, depois de obter a mesma opinião de amigos a quem mostrou, decidiu que aquele material não ficaria confinado. Falou com outros amigos músicos e foram dando corpo à ideia de um espetáculo, em que contam a história medieval de Portugal, de uma forma mais leve, escolhendo 12 momentos representativos de todo o espetro cronológico que abordam. “Desde antes da nacionalidade até à crise de 1383-85, falamos de tudo o que é bom e do que é mau, monstruoso também, naquele período fascinante da História de Portugal, que foi a Idade Média”, resume Rui Correia à Gazeta das Caldas.
Para além do rigor histórico nas letras, há também um cuidado especial com os cenários e adereços. “É tudo muito detalhado”, resume Rui Correia, dando conta que algumas das temáticas que abordam aludem também a um olhar sobre a atualidade. Por exemplo, quando falam na peste, na forma como os contágios decorriam e na ignorância que existia, não é possível deixar de pensar nas máscaras e na pandemia da Covid 19. “Há todo um piscar de olhos para a contemporaneidade, porque a História serve para isso, para compreendermos tudo o que temos hoje à nossa frente e construir o caminho para onde queremos ir”, explica o professor de História.
A apresentação teve lugar em Óbidos que tem, neste momento, “pessoas aventureiras que apostam nestes projetos e, com generosidade, acabam por nos dar infinita latitude para fazermos o que quisermos e acompanham sem rebuço aquilo que nós fomos propondo”, referiu Rui Correia. Agora gostaria de mostrar o espetáculo na sua cidade, nas Caldas da Rainha, e existem já alguns contatos em fase final, para os Gardunhos atuarem noutros pontos do país.
O projeto está também vocacionado para ser apresentado nas escolas e acaba por ser uma extensão do que Rui Correia faz profissionalmente, contando a História de uma forma menos convencional e muito apaixonada. Entre os objetivos está também a sua extensão a outros períodos da História. “O meu irmão é uma alma criativa imparável”, enaltece Rui Correia, acrescentando que esta aventura irá ter continuidade. ■