Pintura de arte urbana de João Samina mede 14 metros. Foi feita na casa de uma habitante de Cortém que tem em comum com o artista o ser emigrante

O muralista, também emigrante, quis retratar na sua obra “o ir e voltar” constante de quem vive na diáspora

João Samina foi um dos artistas que se dedica à arte urbana convidados do projeto Cortém Aldeia Urbana. O autor, que tem trabalho em países como a Turquia, Itália e França, decidiu fazer um grande mural após ter conhecido Maria Filenila, habitante de Cortém, que disponibilizou área para a sua intervenção.
“Fiquei a saber que ela foi emigrante no Canadá e que os filhos moram lá até hoje”, disse o autor à Gazeta das Caldas. O muralista sentiu afinidade com a habitante, pois tem família no Brasil e anda “sempre cá e lá”.

A intervenção é dedicada ao tema da emigração, ao ir e voltar e ao regresso a casa

Decidido a trabalhar este tema na sua intervenção, João Samina.pintou uma andorinha que vai levantar voo, e que representa “a ideia das viagens, da ida e volta e de regressar sempre a casa”. No total, a sua pintura mural mede 14 metros de comprimento e tem cerca de quatro metros de altura. O autor fê-la com recurso à técnica do stencil.
João Samina já teve outros trabalhos em ambiente rural e conta que “é sempre uma experiência muito interessante, calma e que permite uma interação mais forte e verdadeira do que numa grande cidade”.

O muralista, também emigrante, quis retratar na sua obra “o ir e voltar” constante de quem vive na diáspora

Formado em arquitetura, o artista de arte urbana conta que é sempre bem recebido nestes locais. Depois da pintura em Cortém, João Samina partiu para o Brasil e, em novembro, regressa para realizar nova pintura em Lisboa e workshops no Algarve.
Nos primeiros meses do ano, o autor vai dedicar-se a trabalho de estúdio até que a primavera lhe permita o regresso do trabalho ao vivo.
“Combinei voltar a Cortém para partilhar uma refeição com a D. Maria Filenila”, contou o autor que também realizou um workshop de stencil com alunos de uma escola caldense. Já visitaram as atividades do CAU estudantes da D. João II e da Secundária Raul Proença. O projeto prossegue em novembro com a iniciativa Jardins Abertos onde se pretende criar um jardim comunitário nesta aldeia que pertence aos Vidais. ■