Memórias da Secla em obras de autor caldense em Lisboa

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Carlos Alexandre Rodrigues trabalha as memórias do espaço da antiga Secla em mostra na Galeria das Salgadeiras, em Lisboa. O caldense fotografou o espaço devoluto da fábrica durante sete anos

O espaço onde laborou a Secla, à entrada da cidade, esteve vários anos ao abandono, antes de ter dado lugar a um novo supermercado e a um hotel. Agora, deu origem a uma exposição de fotografia.
Durante sete anos, enquanto o espaço esteve devoluto, o artista plástico Carlos Alexandre Rodrigues fotografou as grandes áreas que compunham aquela que foi uma das principais unidades da fábrica que trabalhou entre 1947 e 2008. Dessas fotografias, o artista selecionou 20 das mais de duas centenas que registou e fez uma “impressão” em vidro. São estas memórias que o caldense está a apresentar na Galeria das Salgadeiras em Lisboa.
“Shadows as memories” abriu portas a 15 de abril e é composta por uma série de dípticos onde são centrais as imagens das antigas instalações da Secla. As peças podem ser manuseadas, pois Carlos Rodrigues quer que as suas obras sejam vividas pelo público.
O artista, também interessado no tema da arquitetura industrial tem consciência que as peças acabam por ter valor histórico por preservarem a memória do espaço onde a fábrica laborou ao longo de décadas. Às imagens, uniu excertos dos diálogos do filme “12 homens em fúria” e que abordam temas relacionados com a culpa, a inocência, a busca de um veredicto justo, tal como acontece naquele filme de Sidney Lumet.
Segundo nota de imprensa sobre esta exposição, “estes objetos-livros, feitos de vidro, imagens e palavras, expõem a própria fragilidade da existência, onde tudo se transforma, sem a certeza, porém, em prol de um bem comum”.

Exposição está patente até 29 de maio e reúne fotos impressas em vidro

Carlos Alexandre Rodrigues tem inclusivamente contactado com pessoas ligadas à unidade industrial que marcaram presença na inauguração da exposição e lhe revelaram “importantes factos relacionados com a história da Secla nas Caldas”.
O artista, licenciado em Artes Visuais em Évora, terminou o mestrado em Artes Plásticas na ESAD. Além do trabalho relacionado com a Secla, já fez outro ligado ao levantamento das espécies de grande porte e que fazem parte do Parque D. Carlos I. Essa coleção de imagens, também impressas em vidro, foi apresentada e adquirida durante o decorrer de uma feira de arte em Barcelona.
Em 2011, o artista foi distinguido com o Prémio de Arte Pós-contemporânea Pedro Portugal. O caldense já expôs em várias localidades e está representado em coleções nacionais e locais. “Shadows as memories” é a primeira individual de Carlos Rodrigues na Galeria das Salgadeiras em Lisboa. A mostra está patente até 29 de maio. ■