Museu do Vinho de Alcobaça é um dos mais antigos do país e vai reabrir remodelado

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Espaço foi alvo de obras de remodelação e reabre as portas a 6 de abril com novas áreas e propostas. No Oeste, junta-se também o Museu do Vinho de Alenquer nos espaços de visita obrigatória

O Museu do Vinho de Alcobaça é, a par com o do Cartaxo, o mais antigo do país. Ambos abriram em 1986 e têm características comuns como o facto de terem uma taberna que permite aos visitantes fazer provas. “Ambos têm uma feição popular”, diz Alberto Guerreiro, museólogo da Câmara de Alcobaça. Para o especialista, os dois espaços valorizam a etnografia e antropológica e as tradições ligadas ao vinho. A grande diferença entre o do Cartaxo tem uma perspetiva da região enquanto que Alcobaça “se refere ao vinho de todo o país”. Possui uma coleção de dez mil peças e fazem parte de coleções ligadas à etnografia, à tecnologia tradicional, arqueologia industrial, à arte e à enologia (laboratório) ligada ao vinho.
Durante muito tempo, Alcobaça albergou o Museu Nacional do Vinho. O núcleo alcobacense, a cargo da autarquia, é o maior do país e inclui cinco espaços edificados, além da zona envolvente. Espalha-se por 11 mil metros quadrados de área e guarda coleções de grande valor.
O espaço teve início por ação do vitivinicultor, José Eduardo Raposo de Magalhães, que ali criou a Adega do Olival Fechado, nos finais do séc. XIX. Era uma adega moderna e, como tal, deu lugar ao Museu Nacional, no séc. XX, pelo Eng. Manuel Marques, seu fundador, delegado da então Junta Nacional do Vinho (JNV).
A produção de vinhos da marca JEM (José Eduardo Magalhães) deu lugar a uma indústria em larga escala, implementada por aquela Junta. Do espólio do museu fazem parte memórias da modernização levada a cabo na década de 1940, aquando da aquisição do complexo da quinta do Olival Fechado pela JNV aos herdeiros daquele notável alcobacense.
É deste período a transformação do espaço de adega em depósitos industriais, verticais, de vinhos brancos e tintos, segundo o modelo de Abel Pereira da Fonseca. A partir da década de 1960 passaram a fazer parte novas coleções que decorreram do encerramento de alguns dos armazéns da Junta Nacional do Vinho.

Em Portugal há 40 espaços museológicos dedicados ao vinho. O maior museu é o de Alcobaça que se dedica ao vinho de todo o país

“Talvez este seja o quinto maior museu do mundo”, afirma Alberto Guerreiro, explicando que o mais cotado é “A Cidade do Vinho” e fica em Bordéus (França). O especialista destacou o museu Vivanco, na região vitivinícola da Rioja (Espanha) e que é considerado “o Louvre dos museus do vinho, pois vai desde à arte romana até ao Picasso e Miró”.
No Museu de Alcobaça, o visitante termina o percurso com uma prova de vinhos na taberna. Para além de terem parcerias com produtores de vinho da região, o museu promove iniciativas em parceira de degustação de produtos regionais da região.
Este núcleo museológico – que tem a reabertura prevista para 6 de abril – vai abrir ao público com áreas renovadas. Será, por exemplo, possível ao público ter acesso ao armazém novo e à zona da destilaria. As obras deverão estar concluídas em maio e as restantes áreas, agora em renovação, poderão ser inauguradas no dia internacional dos museus, que se celebra a 18 de maio. A nova área a que o público poderá ter acesso contempla uma vocação de arte contemporânea.
No Oeste, há ainda o Museu de Alenquer e as Quintas do Sanguinhal e dos Loridos que têm áreas onde o vinho é o mote principal.
Por todo o país são mais de 40 os espaços dedicados ao vinho em Portugal que são geridos por entidades municipais, organismos regionais, e outros que pertencem a famílias ou a empresas. ■