Teatro da Rainha estreia peça de Daniel Keene

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A peça vai estar em cena na sede da companhia de teatro residente durante o mês de maio. Está prevista uma dezena de representações de “Terra Natal”

O grupo de teatro residente vai estrear a peça “Terra Natal” que alia duas curtas de dramaturgo australiano

O Teatro da Rainha estreia, a 6 de maio, a peça “Terra Natal”. Estão previstas mais 10 apresentações até ao dia 28 do mesmo mês. Neste espetáculo, o encenador Luís Varela juntou duas peças curtas do escritor australiano Daniel Keene: “A Chuva” e “Terra Natal”.
“Trata-se de um díptico improvável, marcado pelo cruzamento da História contemporânea com reminiscências singulares de indivíduos fragilizados pela passagem do tempo.
Passado, presente e futuro, ausência e presença, interceptam-se na condição existencial de personagens dolorosamente reais”, explica nota sobre as peça s de Daniel Keene, nascido em 1955, em Melbourne.

O dramaturgo australiano notabilizou-se por dar voz a gente de classes desfavorecidas e a sem-abrigos

“Chuva”evoca o holocausto nazi e em “Terra Natal” assiste-se ao conflito de diferentes gerações numa mesma família

Filho de um operário e de uma mulher-a-dias, frequentou uma licenciatura em Direito. Desistiu e emigrou para a Europa, durante dois anos. Residiu sobretudo na Grã-Bretanha, sobrevivendo de diversas atividades. No regresso à Austrália, fundou um pequeno grupo de teatro. Escreve textos dramatúrgicos desde 1979, alternando formatos de maior fôlego com peças curtas, num estilo que foi adquirindo notoriedade “pela extraordinária economia de meios, diálogos fragmentados, forte tensão emocional”, explica a mesma nota.
Em finais de 1997, Keene lançou um projeto independente com a encenadora e coreógrafa Ariette Taylor. O Keene/ Taylor Theatre Project (KTTP) notabilizou-se por dar voz a gente das classes desfavorecidas, homens e mulheres sem-abrigo, jovens desempregados, permitindo vislumbrar com genuinidade vidas raramente exibidas em palco. Foi no KTTP que “A Chuva” e “Terra Natal” estrearam, respetivamente em 1998 e 1997.
A primeira evoca o holocausto nazi colocando em cena uma mulher idosa que conta como, quando era jovem, as pessoas que embarcavam nos comboios lhe confiavam os objetos que amavam. Apesar de se tratar de um monólogo, a leitura proposta por Luís Varela abre-se a novas possibilidades que intensificam a configuração poética de um texto atravessado pelos fantasmas da memória.
Em “Terra Natal” assiste-se ao conflito entre diferentes gerações de uma família. Sobressai a pressão entre o pai em vias de ficar desempregado e filho adolescente, prestes a entrar na vida adulta. Há memórias e experiência do desenraizamento patentes na figura da avó. As reservas podem ser feitas através do Teatro da Rainha.■