André Sousa pegou de estaca e já é uma das referências do Caldas

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Central leiriense teve impacto imediato na equipa. É, com Leandro Borges, um dos totalistas do clube na Liga 3

André Sousa foi uma das novidades no plantel do Caldas para o ataque à Liga 3 e é, até esta altura, o reforço com maior impacto no plantel. Ganhou o lugar no centro de uma defesa a três e é um dos dois totalistas do clube no campeonato, juntamente com Leandro Borges, e um dos três que alinharam em todas as 17 partidas já disputadas na época.
“Na minha forma de pensar o futebol, primeiro vem o trabalho e depois, se estiver a ser bem feito, vêm as oportunidades”, diz o central de 35 anos, que não contava nesta altura ser um dos jogadores mais utilizados por José Vala. Isso dá-lhe, por um lado “prazer”, mas também “responsabilidade, porque tenho que continuar a trabalhar para não sair da equipa”.
Natural de Leiria, André Sousa não tem dúvida o seu impacto imediato na equipa se deve à facilidade de integração. “Não sou nenhum Cristiano Ronaldo, tenho o meu valor e a experiência também ajuda, mas o grupo fez-me sentir como peixe na água e isso fez com que rapidamente pudesse ajudar”, realça o central, para quem este espírito da família é mesmo uma das grandes forças do grupo, numa união que torna mais fácil ultrapassar os desafios.
No setor recuado, encontrou algumas das principais referências do grupo, a começar pelo capitão Militão e o guarda-redes Luís Paulo. “Além desses, há outros jogadores que são modelos para quem chega. Ver que estes jogadores, que estão aqui há tantos anos, se entregam ao treino e ao jogo com tanta intensidade mostra o caminho”, salienta André Sousa.
Com 11 golos sofridos, a equipa caldense segue como uma das melhores defesas da Liga 3, só o Felgueiras, tem menos golos sofridos (10), mas André Sousa prefere destacar todo o trabalho da a equipa. “Não significa que tenhamos os melhores defesas no campeonato, temos é uma equipa capaz de lutar em conjunto para não sofrer golos, desde o Luís Paulo ao João Rodrigues, o que faz com que muitas vezes a bola nem chegue à defesa”, afirma.
O registo defensivo contribuiu para que o Caldas tivesse chegado à pausa de final de ano num bom plano em termos classificativos, mas André Sousa diz que, nesta altura, a tabela classificativa não é muito importante, tendo até em conta a diferença de realidades entre o Caldas e as restantes equipas, nomeadamente na questão da profissionalização. “O que sabemos, e que nos é transmitido também pelo mister, é que temos que estar conscientes das nossas qualidades e fraquezas para trabalharmos melhor”, diz. Apesar do bom desempenho, que já colocou diversas vezes o clube entre os quatro primeiros classificados, o objetivo que continua a guiar o grupo é a manutenção. “Até ver a época está a ser positiva e o que os adeptos podem contar é que a fórmula que utilizámos para chegar até esta altura, com trabalho e entrega, é a que vamos usar no que falta desta primeira fase”, garante, acrescentando que o grupo não vai enjeitar outras lutas se essa possibilidade de abrir.

Taça foi marcante
Nestes seis meses que já leva de Caldas, André Sousa já tem alguns bons momentos para guardar no seu álbum de memórias e a que mais destaca é a do jogo com o Belenenses SAD, para a Taça de Portugal, ainda que tenha deixado um sabor agridoce. “Foi um jogo que demonstrou o que conseguimos fazer, mas que também nos dá responsabilidade para mantermos a fasquia no mesmo nível. Demonstrámos que, sabendo as nossas características e pondo-as em prática, podemos bater-nos com qualquer equipa”, realça.
O central também destaca o 12º jogador e a forma como veste a camisola. “Em comparação com o que tem sido o meu percurso futebolístico, o apoio e o carinho da massa adepta do Caldas são fantásticos, tornam mesmo esta Mata Encantada e isso passa para dentro do campo, em força anímica para nós e o reverso para quem nos visita”, elogia.
Para a segunda metade da época, André Sousa não esconde que gostaria de se manter como um dos totalistas da equipa, “não como um fim, mas no sentido de que estaria a ajudar o emblema do Caldas”.
Engenheiro eletrotécnico de profissão, que exerce numa unidade em Leiria, onde reside, André Sousa “corre” para chegar ao treino a horas e chega a casa já tarde. “Muitas vezes já nem vejo a minha filha, o que é uma das coisas mais difíceis de estar a treinar longe de casa. Mas foi uma decisão que tomámos em família e é muito importante ter esse pilar”, afirma, acrescentando que, lá em casa, também já se torce pelo Caldas. ■