Caldas fez por merecer melhor sorte na lotaria das grandes penalidades

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Ricardo Isabelinha adiantou o Caldas no marcador com o segundo golo em dois jogos | Joel Ribeiro

Entrada forte dos caldenses surpreendeu e o golo de Isabelinha deu vantagem. Depois do empate, foram dos alvinegros as melhores ocasiões

Pela segunda temporada consecutiva, o Caldas sai da Taça de Portugal à segunda eliminatória, em casa, com uma formação da 2ª Liga. Desta vez foi o Sp. Covilhã a tirar os pelicanos de uma prova na qual a prestação em 2017/18 ainda deixa os adversários de sobreaviso. Mas desta vez foi necessário recorrer ao desempate da marca dos 11 metros e os caldenses podem mesmo queixar-se da sorte, porque tiveram, no jogo jogado, as melhores ocasiões para evitar o desfecho.
José Vala não mexeu no 11 que venceu em Sintra e os minutos iniciais mostravam porquê. Os caldenses surgiam soltos e muito bem organizados numa pressão forte bem dentro do meio campo adversário. Ainda decorria o primeiro minuto de jogo quando Leandro encontrava Ricardo Isabelinha já no interior da área e o avançado, que já em Sintra tinha faturado bem cedo no jogo, rematou em jeito à barra.
Estava dado o aviso, o Caldas ia ser igual a si próprio, não seria a mais-valia teórica do adversário a mudar a ambição de passar a eliminatória.

“Fizemos um grande jogo, boas jogadas, disponibilidade física, criámos as melhores oportunidades. Foi pena termos sido eliminados desta forma”
Juvenal

Os beirões apresentavam várias mexidas na equipa inicial face ao último encontro do campeonato e mostrou-se incapaz, na primeira parte, de pegar no controlo do jogo. Para isso muito contribuía a forma organizada com que o Caldas ocupava os espaços sem bola, com André Perre e Mauro Eustáquio a auxiliarem na cobertura dos espaços interiores sem comprometerem a estabilidade da equipa quando o Sp. Covilhã optava pelos corredores laterais.
Sem grandes oportunidades de parte a parte, o Caldas chegou à vantagem ao minuto 35, ao aproveitar um erro na saída de um pontapé de baliza. Militão, que tinha subido para um canto, intercetou a bola e colocou-a na área, Ricardo Isabelinha ganhou no corpo a corpo com André Almeida e bateu a saída de Bruno com um chapéu que inaugurou o marcador.
Nuno Capucho, que somava uma vitória e um empate depois de substituir Daúto Faquirá no comando técnico dos beirões, viu-se forçado a mexer na equipa ao intervalo, para lançar dois jogadores. Gleison e Dáffe deram o que tinha faltado na primeira parte, capacidade para circular a bola de forma vertical. Mas foi num lance de bola parada que surgiu o empate, com a dupla de centrais a funcionar. André Almeida fez um primeiro desvio que Luís Paulo sacudiu, mas a bola ficou à disposição de Jaime Simões, que atirou para o fundo das redes.

“Já ganhámos nos penaltis, desta vez a sorte coube ao adversário. Custa mais perder porque, se não fomos melhores, igualámos o jogo”
José Vala

O Caldas perdia a vantagem, mas não a ambição. Logo na resposta, combinação no ataque colocou a bola em André Perre na área e o primeiro lance em que os caldenses ficaram a pedir grande penalidade, por toque por trás de um defensor.
Com as duas equipas à procura do golo, Enoh teve as duas melhores ocasiões dos visitantes, mas numa falhou de forma incrível após lance de Gleison e na outra valeu o corte de Farinha. Na outra baliza, Perre obrigou Bruno a uma boa defesa e depois foi André Santos, de livre, a atirar a rasar o ferro.
O jogo foi para prolongamento e, neste, as equipas foram bastante mais cautelosas.
Nuno Capucho foi quem mais mexeu na equipa – José Vala só fez uma substituição nos 90 minutos e mais duas na última parte do prolongamento. E essa confiança na forma dos jogadores quase deu certo aos 111 minutos, quando o Caldas criou e desperdiçou a única oportunidade do prolongamento. Marcos correu pelo flanco esquerdo e cruzou a preceito para a cabeça de João Tarzan, a bola saiu ao lado.
Dos 11 metros, saiu a fava a Marcos Santos, Bruno adivinhou o remate do camisola 21 e virou herói do Sp. Covilhã.