Desporto volta a confinar

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Suspensão dos treinos e jogos vai complicar situação dos clubes até ao final da época. Atividade física vai continuar a chegar a casa

Portugal enfrenta um novo confinamento Se à hora do fecho desta edição ainda não eram conhecidas as novas medidas do governo para o combate à pandemia, a suspensão das competições e treinos, sobretudo nas modalidades não profissionais, era um cenário bastante plausível.
Manuel Nunes, caldense que é presidente da Associação de Futebol de Leiria, realça que os números da pandemia que conduzem a este segundo confinamento são “brutais, 10 vezes pior do que em abril e com perspetivas de aumentar”, pelo que o confinamento acabou por se tornar inevitável.

“O desporto, e o futebol em particular, não deve
contribuir  para estes números  assustadores”
Manuel Nunes

O dirigente considera que o desporto, e o futebol em particular, “não deve contribuir de forma trágica para estes números assustadores”, pelo que, considera que durante o novo confinamento “a melhor solução será suspender os campeonatos e ajustá-los mais à frente”.
Manuel Nunes acredita que o confinamento deverá ter, pelo menos, dois períodos de 15 dias, mas que não deverá passar muito desse período temporal, pelo que neste momento não está em causa o cancelamento das competições, como na época passada. Contudo, todas as decisões dependem do que for decidido pelo governo e pelas federações.
Se o congelamento das competições distritais era um dado praticamente adquirido, dúvidas existiam quando ao Campeonato de Portugal, onde compete o Caldas SC, assim como às principais competições das modalidades ditas amadoras, que foram equiparadas ao futebol profissional.

“A nossa expectativa é que o Campeonato de Portugal continue a ser equiparado às competições profissionais”
Jorge Reis

No Caldas, o presidente Jorge Reis mostrou-se preparado para a interrupção das provas distritais. “Suspendemos os treinos das equipas B e de Sub-21”, adiantou o dirigente. No entanto, a expectativa era de que o Campeonato de Portugal prosseguisse.
“Até ao momento o que permitiu que se disputasse os jogos foi a equiparação do Campeonato de Portugal às competições profissionais. É essa a nossa perspetiva e, se assim for, continuaremos a nossa caminhada”, afirmou Jorge Reis.
Por outro lado, o presidente do clube alvinegro diz que as parcas esperanças de reatamento dos escalões de formação acabam de vez com este confinamento.

“Este segundo confinamento torna a situação dos clubes ainda mais complicada do que já era”
Paulo Ferreira

Com a equipa principal do Peniche a competir na Divisão de Honra distrital, com objetivo de subir ao Campeonato de Portugal, o presidente Paulo Ferreira considera que a situação dos clubes “vai ficar ainda mais complicada do que já era”. Tal como o Caldas, o clube antecipou as medidas do governo e começou a preparar os jogadores da equipa principal para se manterem em atividade durante o novo confinamento. Paulo Ferreira acredita que o campeonato será retomado e chegará ao fim, mas teme que isso aconteça já demasiado próximo da nova época, o que terá consequências na preparação da época seguinte.
Mas Paulo Ferreira diz que as consequências vão para lá do futebol em si. O clube tinha planos para comemorar, de forma adequada à pandemia, os seus 80 anos, mas poderá ter que deixá-los cair. Além disso, o deteriorar da situação pandémica tem efeitos nos patrocinadores dos clubes da região, “que vivem de uma quantidade grande de pequenos patrocinadores, que estão em dificuldades”, aponta.

Pimpões preparam online
Situação diferente vive a SIR “Os Pimpões”, que além das equipas e atletas de competição em diversas modalidades, como a natação, o basquetebol, o triatlo, e artes marciais, tem também atividade no desporto de lazer e manutenção física.

“Estamos preparados para todos os cenários, se o confinamento for total, voltamos ao online”
Susana Chust

Susana Chust, presidente do emblema caldense, diz que a coletividade está preparada para todos os cenários que foram emanados pelo Conselho de Ministros na quarta-feira. Caso a ordem seja o confinamento total, os Pimpões retomam os treinos à distância, através das plataformas online. Caso sejam permitidos os treinos presenciais, serão criadas as condições de segurança.
“No primeiro confinamento não foi nada preparado, o país fechou na sexta-feira e na segunda estávamos a fazer tudo online e fomos melhorando ao longo do tempo”, refere Susana Chust.
Os Pimpões garantem atividade adaptada a todos os utentes, desde os mais novos, que ficaram de fora no primeiro confinamento, até aos mais idosos. De resto, Susana Chust sublinha que a coletividade nunca parou a atividade em todo este processo, sem ter contabilizado qualquer surto de contágio, “o que indica que nós e os nossos utentes estamos a fazer as coisas bem”.
Essa postura levou, inclusivamente, a que as diversas classes das diversas modalidades tivessem aumento de procura.