Gaeirense tenta subida inédita aos nacionais aos 75 anos

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O clube do concelho de Óbidos assinalou no passado dia 16 de abril o 75º aniversário. Não houve festa, porque o momento não o permite, mas poderá haver após o desfecho da época, se houver subida

Corria o ano de 1946 quando um grupo de distintos gaeirenses composto por José Félix Quitério, Amadeu Damião, José Félix Nunes, José Cipriano, Martinho Cipriano, António Laura, Alfredo Veludo, Adriano Alves, José Faria Félix e José Ferreira se juntaram para fundar o Sport União Gaeirense, o que foi concretizado a 16 de abril desse ano. Mais tarde, em fevereiro de 1960, uma alteração de estatutos mudou o nome para Sociedade Recreativa Gaeirense. Foi já depois da revolução de 1974 que adquiriu o atual nome, Sociedade Cultural e Recreativa Gaeirense.

A equipa de futsal é hoje a principal representante do clube e pode estar a caminho de um feito inédito

Primeiramente, o clube foi criado principalmente para a atividade do futebol e a realização de alguns bailes. Mas depois da revolução dos cravos, um pouco à imagem do que aconteceu com o movimento associativo pelo país fora, passou a ter um papel bem mais profundo no desenvolvimento social das Gaeiras. Foram criados um grupo de teatro e novas modalidades, como o atletismo, o xadrez, as damas, o andebol e o basquetebol. O futebol filiou-se, nessa altura, na Associação de Futebol de Leiria e começou a construir o seu legado também a nível competitivo. A final da Taça Distrito de Leiria em 1991/92, perdida para o Nazarenos (1-0), no… Campo da Mata, foi o ponto alto.
Outro momento importante na vida do clube foi a construção do pavilhão desportivo, localizado no centro da vila. A construção iniciou-se em 1986, num terreno cedido por José Ferreira Pinto Basto. Apenas 10 anos depois a obra foi concluída e entregue ao clube por uma comissão criada para o efeito.
O pavilhão abriu ao clube a porta para ter outras modalidades, como futsal e o basquetebol, que conseguiram momentos altos na história do clube, com títulos que foram escapando no futebol e subidas de divisão.

O Gaeirense mantém um forte bairrismo, pela forma como foi construído pelas gentes
da terra

 

Pandemia condiciona
Hoje em dia, o Gaeirense enfrenta as dificuldades que os clubes atravessam em termos gerais, com a pandemia a condicionar a atividade desportiva e a reduzir a mínimos os apoios das empresas.
No entanto, apesar de estar praticamente limitada à equipa de futsal masculina, que disputa a Divisão de Honra da AF Leiria, os resultados podem levar o Gaeirense a patamares que nunca experimentou. A equipa, comandada poe Luís Marques, lidera a classificação a quatro jornadas do termo (o campeonato ficará limitado a uma volta) e, mantendo a classificação, será pela primeira vez na sua longa e bonita história, ao título de campeão distrital no principal escalão do distrito e abre a possibilidade de subida à 3ª Divisão nacional, que voltará na próxima temporada.

Rui Oliveira e Filipe Belmiro são presidente e vice-presidente da direção

“A equipa está bem, ainda não perdeu esta época. Não temos estrutura para subir à 2ª Divisão, mas vamos lutar para subir à 3ª”, refere Filipe Belmiro, vice-presidente da direção. “Seria muito bom na temporada em que o clube comemora os 75 anos”, acrescenta.
Filipe Belmiro fala, contudo, das dificuldades que a pandemia criou ao clube. Por um lado, “temos uma direção muito reduzida. Somos os indispensáveis para o funcionamento do clube, porque o importante era aguentar o barco nesta fase”, refere. Por outro, os meios são escassos. “Apelámos aos jogadores para compreenderem a situação do clube, damos sempre um jantar no fim dos jogos em casa, no fim do treino há sempre uma sandes, mas a equipa acatou e está a fazer um grande campeonato”, acrescenta.
Além de limitar os patrocinadores, a pandemia impediu a coletividade de realizar os eventos que tinha previstos e que serviriam para angariar receita para obras necessárias no pavilhão, nomeadamente as tasquinhas e a festa anual, em honra de Nossa Senhora da Ajuda. Mesmo assim, “o clube está bem, não deve nada a ninguém”.
Além do futsal, o clube tem uma equipa de futebol a competir no Inatel, mas a prova não avançou esta época, devido à pandemia.
Foi também criada uma nova secção de basquetebol, que o clube recebeu de braços abertos, mas com atitude vigilante.
“É importante diversificar a atividade e é um projeto muito bem organizado que, na formação, tem pernas para andar. Mas o Gaeirense ficou em muito maus lençóis com o anterior projeto do basquetebol, por isso é preciso ir com calma”, refere o dirigente.
Para a equipa diretiva, servir o clube é “continuar o legado” dos antepassados. “O Gaeirense ainda é um clube que tem muito bairrismo, há uma estima muito grande por tudo o que foi construído fruto do trabalho e da carolice dos gaeirenses”, remata. ■