Voleibol: Iranianos do Sporting das Caldas procuram lugar ao sol em Portugal

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Amirabbas Moradi, Ehsan Ahmadi e Mohammadreza Beik querem evoluir no voleibol português

Chegaram às Caldas da Rainha em outubro, querem afirmar-se no clube para, no futuro, se projetarem para as melhores ligas europeias

Ehsan Ahmadi, Mohammadreza Beik e Amirabbas Moradi são três jovens, de 20, 21 e 24 anos, que deixaram no início de outubro o Irão para conquistarem um lugar ao sol no voleibol nacional, ao serviço do Sporting das Caldas.
Do Irão, trouxeram uma mala cheia de sonhos, mas também muita ambição, que os faz querer chegar aos palcos maiores do voleibol europeu. E mesmo que, à chegada, tenham encontrado uma realidade diferente da que tinham no seu país natal, garantem que estão focados.
“A adaptação demora algum tempo, mas não é difícil, e o processo tem sido facilitado pela forma gentil como as pessoas nos acolheram”, afirma o mais velho dos três, o distribuidor Amirabbas Moradi, que garante estarem melhor integrados “a cada dia que passa”.
Ao bom acolhimento, juntam-se outros fatores positivos que aceleram o processo de adaptação ao país e, em particular, às Caldas da Rainha. “A cidade tem um clima muito próximo do nosso e tem um parque onde gostamos muito de ir”, diz o zona 4 Mohammadreza Beik, de 21 anos. “Em termos culturais, o que encontrámos aqui é parecido com o que temos no Irão, posso dizer que nem estou a sentir saudades de casa”, atira o rematador, para quem até a comida portuguesa tem sido uma agradável surpresa. “É diferente da nossa, mas é deliciosa”, exclama.
Obstáculo mais difícil de transpor é a comunicação. Falam um pouco de inglês, mas nem sempre é o suficiente. Por vezes, é mesmo preciso recorrer à ajuda de um intérprete… especial, o tradutor do Google. Mas tudo é ultrapassável quando o que os move é a paixão pelo voleibol.
O trio chegou com a época em andamento, mas tem tentado recuperar terreno. Vindos de uma potência do voleibol. Na quadra querem afirmar o seu potencial e ajudar o clube a crescer. O objetivo, não escondem, é “progredirmos nas nossas carreiras”, chegando a ligas mais competitivas, onde atuam as estrelas iranianas, e um dia chegar à seleção principal do seu país. “É o desejo de qualquer atleta e um objetivo que temos. Estamos aqui por uma grande causa”, conclui Moradi.
Clube ganha visibilidade
O Sp. Caldas recebeu o trio por via de um protocolo celebrado com os empresários Sina Vahabzadeh e António Jesus Lariva, que trabalham com a federação iraniana. Para Filipe Mateus, presidente do clube, é uma oportunidade para ter jogadores competitivos com custo reduzido, uma vez que o clube fica dispensado das inscrições. E no processo ganha visibilidade internacional. “Já temos seguidores do Irão nas redes sociais e isso acaba por ser uma mais-valia”, afirma. ■