Manuel Nunes quer mais atletas e mais árbitros

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O caldense Manuel Nunes inicia o terceiro e último mandato como presidente da AF Leiria

Estatuto do dirigente benévolo será outra das bandeiras no último mandato à frente da AF Leiria

Reeleito para um terceiro mandato na presidência da Associação de Futebol de Leiria, Manuel Nunes falou com a Gazeta das Caldas sobre dos objetivos para o mandato.

Foi reeleito para um terceiro mandato e voltou a ser um ato eleitoral tranquilo. Isso diz-lhe que o trabalho está a ser reconhecido pelos clubes?
Esta direção tem tido a preocupação, já antes da pandemia, de ir acompanhando os clubes onde atuam. As pessoas ficam bastante agradecidas, é um estímulo ao trabalho que estão a fazer. E esta postura também me permite aprofundar o conhecimento dos clubes e, assim, problemas que podem haver são antecipados. Abrimos as portas e a ligação com as pessoas, para poderem expressar opiniões e tirarem pequenas dúvidas que havia, pelo facto de não estarmos presentes.

Diria que o mandato anterior foi marcado pela pandemia e pela certificação dos clubes?
A pandemia foi uma situação complicada, não só porque os campeonatos foram resolvidos de forma administrativa, como porque tivemos que gerir todas as informações que vinham dos ministérios, incluindo a proibição de atividades para jovens. Essas decisões deram evidência que a formação é determinante para os clubes, mas também que os clubes são muito importantes para os jovens. Nesta época 2022/23, já conseguimos ter mais praticantes do que em 2019/20. Os clubes reorganizaram-se e investiram bastante em instalações e reestruturação, o que nos leva à certificação, um instrumento fantástico criado pela Federação em 2014/2015. É um processo importante, pois visa garantir que os clubes estejam em conformidade com o manual produzido pela Federação. Sabemos que existem cerca de 1900 clubes de futebol em Portugal, e este ano 1200 aderiram à certificação, o que indica que ainda há muitos sem a certificação. Devo dizer que, antes deste programa, as conversas com os clubes eram principalmente sobre arbitragem. Agora passou a ser sobre futebol, formação e ligação entre escalões.

Nestes quatro anos de mandato que tem pela frente, quais serão as linhas gerais?
Temos três grandes desafios identificados há muito tempo. O primeiro passa por aumentar o número de praticantes e, para tal, precisamos de mais instalações desportivas, apesar disso não ter sido contemplado nos fundos comunitários. Um exemplo é o caso das Caldas da Rainha, onde o Caldas, a Escola Académica e a Areco têm cerca de 40 equipas e não têm instalações suficientes. Outra situação com a qual temos que lidar, e temos conseguido resolver, embora ainda não completamente, é a falta de árbitros. O grande problema está na retenção. É complicado devido à falta de programas específicos nesta área. Além disso, há um problema com o público nas bancadas, pois muitas vezes os pais não entendem que o jogo não pode acontecer sem árbitros, que se disponibilizam para fazer, não um, mas até quatro jogos por fim-de-semana. Temos que continuar com os planos de recrutamento e retenção na arbitragem, porque é uma carreira interessante. O terceiro ponto que identificamos como fundamental é o estatuto do agente desportivo benévolo. Muitos clubes existem graças à fantástica devoção de pessoas que dedicam 10, 15, 20 anos ou mais de suas vidas ao associativismo. Fizemos uma proposta aos diversos governantes do país que são responsáveis pelo desporto, que diz respeito a uma majoração, seja no nível do IRS, seja no tempo de reforma. É algo simples, mas é necessário dar um sinal de agradecimento, porque se fizermos as contas baseadas no salário mínimo nacional, teremos uma surpresa sobre quanto o dirigente benévolo poupa ao Estado. Neste momento, também estamos a enfrentar dificuldades em lidar com o aumento de 50% no prémio dos seguros, que num jogador sénior vai subir para cerca de 90€. Isso afeta muito os custos, precisamos encontrar uma solução para esse problema.

O futebol feminino está em franca expansão no país, é um objetivo que cresça no distrito?
No nosso distrito, o futebol masculino representa 90% e o feminino 10%. Portanto, se há margem para progredir, é no feminino. Além das diretivas que chegam em torno da igualdade de género, cada vez mais as raparigas cada vez mais querem jogar futebol e temos que proporcionar as condições para que haja mais praticantes, mas isso volta a entroncar na questão da falta de instalações desportivas… Ao nível das inscrições, o número tem sido estável, o que temos sentido é que tem havido uma deslocação do futsal para o futebol.

Tem praticamente 8 anos na presidência da AF Leiria, vai chegar aos 12 pontos. Será o seu último mandato?
Os nossos estatutos colocam um limite de três mandatos para o presidente da direção, por isso sim, este será o último mandato. Também é preciso perceber que é necessário haver renovação, que entrem pessoas mais novas, com outras dinâmicas e integrá-las de modo a que vão aprendendo.

Na sua equipa entraram mais alguns caldenses.
A maioria das pessoas vem de trás, mas houve algumas alterações, nomeadamente no Conselho Técnico, com pessoas aqui das Caldas. É o caso do Filipe Mateus, do Rodrigo Amaro e do Eduardo Matos. Temos também outra pessoa, com uma ligação de há longa data com a associação, o Fernando Tinta Ferreira, que se mantém como presidente da Assembleia Geral. Mas, acima de tudo, queremos equipas abrangentes e tornar a associação cada vez melhor. ■