
Presidente do Caldas SC apresenta-se a votos com lista única, defendendo a continuidade do trabalho iniciado em 2024, com foco no equilíbrio financeiro, valorização da formação e melhoria das infraestruturas do clube
O Caldas SC vai a eleições, à partida com uma lista única. Interpreta este cenário como um sinal de estabilidade?
Este não é um cenário novo, se verificarmos os últimos 20 anos de vida do clube, apenas por uma ocasião existiram eleições disputadas. Este facto leva-me a concluir que não é só sinónimo de estabilidade, mas também o progressivo afastamento na participação associativa.
No anúncio da recandidatura falou numa equipa renovada. Que mudanças existem e o que podem trazer de novo?
Tivemos dois anos com uma atividade muito intensa, o que para uma direção jovem em idade e na experiência associativa criou um enorme desgaste e influência na vida de cada um. Conseguir um bom desempenho diretivo, como conseguimos nestes dois anos, não é dissociável da perda de outros aspetos na nossa vida, portanto, só posso aproveitar para dirigir publicamente o meu profundo agradecimento a cada um dos que aceitaram integrar, o que se pode considerar quase que “uma junta de salvação”, abraçando um projeto onde existiam muitas interrogações. Vamos agora iniciar um novo ciclo, com os mandatos de três anos, com tempo para preparar o processo eleitoral, formar a equipa e perceber onde estamos e para onde queremos ir. Aqueles que continuam e os que entram, serão uma mais-valia, pelo sentimento que têm pelo clube, mas também pela experiência de vida que podem colocar à disposição do clube e, acima de tudo, a motivação que apresentam em abraçar este projeto.
A última demonstração de resultados mostra uma situação mais estável, mas ainda com desafios na tesouraria no dia a dia. Consolidar essa área é uma prioridade?
Esta não é só uma área prioritária, mas sim uma área vital para o normal funcionamento do clube hoje, mas também o projetar como um clube com futuro, confirmando o seu potencial crescimento. A tesouraria do clube é debatida há vários anos e após a nossa entrada em 2024 sabíamos que existia a necessidade urgente do clube criar mais fontes de receita e dessa forma iniciar um processo de reequilíbrio financeiro. Foi esse processo que iniciamos em 2024 e queremos seguir até 2029. Só com rigor e saúde financeira o clube pode continuar a desenvolver a sua principal atividade – o desenvolvimento desportivo no futebol e modalidades, de crianças a seniores.
A gestão interna é uma das áreas menos visíveis. O que mudou na organização do clube e onde ainda é preciso melhorar?
Ao longo dos dois anos foram mudando algumas coisas, desde logo, destaco a melhoria na venda de bilhetes, a aposta na “marca Caldas” através da venda de merchandising e presença em eventos locais, o acompanhamento contabilístico do clube permanente com centros de custos, a melhoria do sistema de gestão do clube e a interação com patrocinadores e parceiros. Ainda assim, existe uma enorme margem de melhoria nestas áreas e noutras, como por exemplo, no nosso gabinete médico, na relação interna e externa do clube e na área da formação.
Na formação, há uma nova coordenação e o clube assinou recentemente o primeiro contrato de formação com um atleta. Que estratégia está definida para este setor?
O Caldas SC é um clube essencialmente formativo e, que tem na sua equipa sénior o seu expoente máximo, representado por vários atletas oriundos da formação do clube. Essa é marca e identidade do Caldas SC e que o distingue de tantos outros. Valorizando esse trabalho de anos e reconhecendo que este é o caminho, que a estratégia deve dividir-se entre a melhoria constante das condições de trabalho na nossa formação e a valorização de atletas da nossa formação que apresentam sinais que nos fazem acreditar que podem chegar ao topo da pirâmide do clube.
Referiu a melhoria das infraestruturas como um pilar. Há intervenções concretas previstas?
Dentro da capacidade de investimento do clube e de acesso a apoios as prioridades são, continuar a melhorar as condições no campo Vasco de Oliveira (Campo da Quinta da Boneca) – cobertura nas bancadas, melhoria dos balneários, colocação painéis termo fotovoltaicos e intervenção junto e no antigo “O Abrigo”. No Campo da Mata as intervenções devem ser no edifício que contempla a lavandaria, os WC junto ao bar, na relva, na pintura do estádio e aproveitamento de uma sala inutilizada. Por fim no local da futura sede, queremos iniciar o processo de forma gradual.
A equipa sénior é a principal montra do clube. Que Caldas podem esperar os adeptos nas próximas temporadas?
Os adeptos podem esperar uma equipa competitiva, com identidade “à Caldas”, com muita vontade de ganhar e dar alegrias aos caldenses que acompanham a equipa fim de semana após fim de semana. Sabemos que temos limitações orçamentais quando nos comparamos a outros clubes, mas vamos querer fazer-nos valer da resiliência das nossas pessoas, da nossa fortaleza no Campo da Mata e da vontade de querer vencer. Queremos que os adeptos sintam orgulho na nossa equipa e tenham muita vontade de ir ao Campo da Mata apoiá-la a cada jogo em casa.
O futebol feminino tem vindo a crescer em Portugal. Está nos planos da direção recuperar essa vertente no clube?
É uma vertente que tem recebido cada vez mais promoção e investimento da FPF. Com base nisso, e sendo o Caldas SC atualmente um clube eclético, mas que tem no futebol a sua principal atividade, é algo que faz todo o sentido ser avaliado internamente no próximo mandato.
Entre modalidades, relação com adeptos e crescimento do clube, que Caldas SC gostaria de deixar no final deste ciclo?
Vejo a participação nas organizações como uma passagem, um contributo balizado no tempo e que deve contribuir para a sua melhoria constante. Sigo este lema e gostaria que o ciclo no Caldas SC culminasse nesse mesmo propósito, estar melhor que em 2024. Concretizando, um clube com mais sócios, com mais capacidade financeira, com mais atletas e modalidades, com um projeto desportivo mais ambicioso e com mais património. Sentir que nas Caldas da Rainha e no Oeste se vive o Caldas SC e que cada um, sócio ou adepto, tem orgulho em ser Caldas.











