AIRO assinala 40 anos com partilha de experiências de antigos diretores

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Presidente da direção entre 1986 e 1995, Guilherme Collares Pereira, é um defensor da colaboração e associativismo no setor e acredita que o sucesso da economia assenta na educação e formação

A aposta na educação e na formação continua a ser o “pilar de base” para o dinamismo da economia e tecido empresarial, considera Guilherme Collares Pereira, que foi presidente da AIRO entre 1986 e 1995. O gestor visitou as instalações da associação industrial e partilhou a sua experiência com elementos da atual direção no passado dia 2 de julho, marcando o início das comemorações do 40º aniversário daquela entidade.

A AIRO nasceu para ajudar os empresários da região a superar os problemas comuns

Na sua opinião, os objetivos de sustentabilidade só se alcançam se os jovens estiverem envolvidos, enaltecendo o papel que a associação tem com a academia e as escolas, assim como a aposta no empreendedorismo. Guilherme Collares Pereira lembrou que data da sua direção o arranque e desenvolvimento do Cencal nas instalações atuais, juntamente com outras entidades, assim como de um vasto programa de formação profissional apoiada pelo Fundo Social Europeu, com milhares de horas de formação ministrada e dirigida a empresários e quadros de PME da região e jovens à procura do primeiro emprego.
A AIRO foi também fundadora e participante na criação da ESAD, da ETEO e apoiante na implementação do polo de Peniche do IPL.
O responsável, com formação em gestão de empesas e economia internacional, foi desafiado para integrar a AIRO por Pedro Pessoa de Carvalho, presidente do conselho de administração da Secla e presidente da assembleia geral desta associação, aceitando com a condição de defender os interesses dos empresários de toda a região Oeste, num nível regional. “Temos esta visão alargada ao nível territorial e de áreas de intervenção”, disse o ex-dirigente, lembrando que a AIRO, então, abarcava 14 concelhos, desde Torres Vedras até perto de Leiria.
“Fizemos um trabalho interessante, muito no sentido de forjar parcerias”, lembrou Guilherme Collares Pereira, acrescentando que a palavra competição foi “riscada” do mapa e passou a colaboração cooperação. Também presente no encontro, o secretário-geral da AIRO daquela época, Francisco Toscano, acrescentou que a credibilidade e “capacidade reivindicativa” desta associação também foi fundamental, lembrando, por exemplo, a abertura do primeiro gabinete descentralizado de informação PEDIP, na sequência da instalação da estrutura de gestão deste programa em Lisboa.
Outra das preocupações da associação foi a de capacitar os empresários para enfrentarem a realidade da adesão à então CEE.
“Muita formação, competência técnica, demos início aos primeiros encontros com empresários estrangeiros para os familiarizar”, explicou Francisco Toscano, lembrando o envolvimento na Rede Europeia de Câmaras de Câmaras de Comércio e Indústria.
Depois de exercer três mandatos na AIRO, Guilherme Collares Pereira ocupou lugares de destaque nos órgãos sociais de várias associações empresariais e teve uma carreira profissional em vários setores de atividade e em sistemas de franchise. Tem uma segunda casa no Carvalhal, Bombarral, onde vive desde a pandemia, e de onde vai acompanhando a realidade regional.

O Centro Empresarial da região Oeste irá albergar a AIRO e o Caldas Empreende

“Em termos empresariais acho que nunca tivemos numa situação tão difícil e associações como a AIRO são cada vez mais necessárias”, disse, defendendo a importância do associativismo. “O português continua a não ser associativo, só nos associamos nos momentos negativos, que é o oposto do que devia de acontecer”, afirmou, realçando que é “no crescimento que devemos estar juntos, para crescer mais, mas tem a ver com a educação, a cultura”.
De acordo com o atual presidente da direção, Jorge Barosa, a instituição pretende assinalar o 40º aniversário com um levantamento histórico do trabalho feito na região para publicar em livro. Há também o objetivo da construção de um Centro Empresarial da região Oeste, que irá albergar a AIRO e o Caldas Empreende (incubadora de empresas). “Queremos que o espaço junte empresas, que ali possamos criar debates de ideias, no fundo, que seja um edifício que gere riqueza para a região”, partilhou Jorge Barosa. ■