ALEB tem visto do Tribunal de Contas e pode começar a receber empresas dentro de ano e meio

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Samuel Delgado diz que a Solancis pretendia investir na Quinta da Serra, mas teve de encontrar alternativas

Obras para a criação das infraestruturas devem começar até ao início de fevereiro. Autarcas e empresários consideram que será um marco para o desenvolvimento das empresas e da própria região

A Câmara de Alcobaça já detém o visto do Tribunal de Contas que permite o início das obras de infraestruturação da Zona Empresarial Responsável da Benedita (conhecida por ALEB), um projeto ansiado pelos empresários da freguesia há quase três décadas e que agora está em condições de ver a luz do dia.
Os trabalhos, que representam um investimento de 7,5 milhões de euros da autarquia, com apoios do Centro2020, deverão ter início no final deste mês ou no início do próximo, adiantou à Gazeta o presidente da Câmara, Paulo Inácio, que estima que a duração da empreitada seja de cerca de ano e meio. O autarca diz que este é um projeto que a Benedita merece há muito tempo, por se tratar de “uma das freguesias com maior empreendedorismo do distrito e do país” e acredita que a estrutura se vai consolidar “rapidamente”, tendo em conta a procura que tem existido.
Maria de Lurdes Pedro, presidente da Junta de Freguesia da Benedita, não tem dúvidas em considerar que este é “um marco na vida da freguesia e de toda esta zona”, acrescentando que a infraestrutura vai dar “um grande contributo para o desenvolvimento desta região”.
Essa é também a convicção de Paulo Inácio. O chefe do executivo municipal acredita que, além de permitir uma maior organização das empresas familiares existentes na Benedita, que vai levar ao seu crescimento, a ALEB vai também criar condições para atrair novos investimentos, criando, assim, emprego.
Maria de Lurdes Pedro acrescenta que a captação de investimento vai fortalecer a freguesias noutras áreas, “como a educação”.

Olhar o futuro e não o passado
O processo de construção da ALEB foi longo e iniciou-se há quase 30 anos. Uma demora que foi excessiva para alguns empresários que precisavam de fazer crescer os seus negócios. Sem a área empresarial prometida, acabaram por sair para outras freguesias e outros concelhos.
Maria de Lurdes Pedro considera que o tempo foi o necessário para que se cumprissem todos os procedimentos necessários, num processo que foi muito complexo devido às características do terreno onde vai ser implementado, na Quinta da Serra, em parte da Reserva Natural das Serras de Aire e Candeeiros. “Foi um impasse no desenvolvimento, não das empresas, mas do nosso tecido industrial”, refere a presidente da Junta de Freguesia, acrescentando que é tempo de colocar esses problemas para trás e olhar para a ALEB como “um futuro de desenvolvimento, investimento e fixação de famílias”.
A autarca diz que há empresas que, além das empresas que optaram por aguardar pela construção da ALEB para puderem expandir os seus negócios, têm “indicações que há outras à espera para dar início à atividade”.
Bruno Letra, presidente da Associação de Desenvolvimento Empresarial da Benedita (ADEB), congratula a Câmara de Alcobaça pelo concretizar do projeto da ALEB, do qual foi uma das associações parceiras. Agora é preciso não perder tempo na definição dos regulamentos, na gestão do equipamento e também das condições que serão dadas aos empresários para ali fixarem os negócios.
O dirigente acredita que a zona empresarial pode significar o fortalecimento da indústria da Benedita, que além de ser forte nos clusters do calçado, marroquinaria e pedra, tem “um conjunto de indústrias de proximidade que podem dar apoio a outras que se queiram aqui instalar”.

Empresários aguardam
A concretização da ALEB está desbloqueada, mas ainda deverá demorar cerca de ano e meio para que as primeiras empresas se possam começar ali a fixar. Após uma longa espera, os empresários começam a ver perspetivas de ter um espaço dedicado onde podem fazer crescer os seus negócios.
Samuel Delgado, CEO da Solancis, considera que a infraestrutura será “altamente relevante para a economia local”. Além do espaço para as empresas, “existem projetos para o IPLeiria desenvolver um novo polo educativo precisamente na nossa região”, o que o empresário espera ver concretizado com a zona empresarial.
No entanto, Samuel Delgado não deixa de lamentar a “extrema quebra no desenvolvimento industrial e comercial da região” que esta demora provocou. O empresário refere que “demasiadas empresas em fase de crescimento viram-se obrigadas a deslocar-se para zonas industriais limítrofes”, e não acredita que essas possam regressar. Ao mesmo tempo, “novas empresas não tiveram espaço para a sua implementação”, pelo que “a economia local não irá recuperar os 20 anos de atraso que este processo levou”. O CEO da Solancis diz que é preciso captar investimento e também mão-de-obra, “alcançando maior dinamização e crescimento social, cultural e económico”.
A empresa situa-se perto do local onde nascerá a ALEB e, quando se procedeu à ampliação e reestruturação das instalações o ideal teria sido construir na zona industrial. “Mas como esta não avançou, vimo-nos obrigados a fazê-lo onde estávamos, sabendo que não nos permitia continuar a crescer”, salienta Samuel Delgado. A empresa também ponderou sair da freguesia, mas temeu perder os trabalhadores e, com eles, a identidade.
Agora abrem-se novas perspetivas. A Solancis é uma das empresas inscritas para um lugar na ALEB. “Fizemos o pedido de aquisição de 20.000 metros quadrados já em 2015 e a proximidade da zona às nossas instalações é uma grande vantagem, conseguimos crescer, mantendo-nos na região”, sustenta.
Também à espera da ALEB para crescer está a Rafaela Silva, empresa de calçado. “Temo-nos mantido em instalações alugadas, que são pequenas para o que pretendemos para a empresa. Já nos inscrevemos, vamos aguardar para ver se começam as infraestruturas, para podermos investir”, diz Lino Rafael. Em novas instalações, o empresário acredita que a Rafaela Silva pode aumentar a produtividade, a qualidade e a oferta de produtos.
O empresário refere ainda que a concentração das empresas vai trazer, igualmente, vantagens enquanto comunidade. “Ao termos empresas mais bem estruturadas, com investimentos feitos de acordo com o espaço, teremos melhor rentabilidade e produtividade”, sublinha. ■

A presidente da Junta da Benedita, Maria de Lurdes Pedro, diz que, agora, o momento é de olhar para o futuro

 

Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça, estima que a obra esteja pronta para começar a receber as empresas dentro de ano e meio

 

Bruno Letra, presidente da ADEB, diz que é necessário definir rapidamente as medidas de apoio à instalação das empresas

 

Lino Rafael, adianta que a Rafaela Silva está à espera da ALEB para investir em novas instalações