Apicer vai criar imagem de marca para a cerâmica portuguesa no estrangeiro

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A diferenciação pela qualidade e pelo design pode trazer valor aos produtos

Setor segue política implementada noutros ramos de atividade para fortalecer imagem de uma cerâmica de qualidade e inovação

A Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e de Cristalaria (APICER) apresentou, no dia 11 de março, o projeto INTERCER – Promoção da Internacionalização da Cerâmica Portuguesa, num seminário online que reuniu empresas e empresários dos diversos subsetores desta indústria.
Com este programa, que vai ser desenvolvido ao longo dos próximos dois anos, pretende-se melhorar a competitividade do setor e definir um posicionamento da marca “cerâmica made in Portugal” com uma comunicação comum que permita aumentar a perceção da qualidade dos produtos nos mercados internacionais.
Este programa começou a ser desenhado pela Unidade Autónoma Cerâmica Utilitária e Decorativa, umas das cinco que compõem a APICER e que tem na presidência a alcobacense Cláudia Domingues, da empresa histórica António Rosa Cerâmicas, Lda.
“Uma das carências que os empresários do setor da cerâmica utilitária e decorativa sentiam era a necessidade de comunicar a uma só voz, de criar uma identidade da cerâmica portuguesa pela qualidade, pelo saber fazer e pela capacidade de inovação, e apagar a que existe de sermos um país onde se faz barato”, explicou Cláudia Domingues à Gazeta das Caldas.
A esta unidade juntou-se a Unidade Autónoma de Revestimentos e Pavimentos Cerâmicos, “porque os empresários desse ramo sentiam as mesmas dificuldades”, acrescentou.
O projeto foi desenvolvido por uma consultora, que realizou um estudo com as empresas que permitiu identifica pontos fortes e os pontos fracos do setor, com vista à criação dessa nova imagem e identidade. O projeto foi submetido a fundos europeus, candidatura que foi aprovada.
Apesar de o projeto estar a ser desenvolvido pela APICER, Cláudia Domingues, que é vice-presidente da direção desta associação, garante que este não vai beneficiar apenas os associados. “Empresas não associadas podem participar, entrando em contacto com a associação, até porque todas as empresas do setor vão beneficiar”, sustenta.
A vice-presidente da APICER realça que este é um caminho trilhado por outros setores de atividade nacionais, como o calçado, o têxtil e o turismo, entre outros, com claros benefícios nos seus processos de internacionalização e criação de valor.
O projeto contempla a criação de vídeos institucionais, exposições em embaixadas portuguesas, a participação em certames internacionais assim que estes regressem, além de outras iniciativas, algo que Cláudia Domingues realça nunca ter sido feito “com esta dimensão”.
A dirigente do setor nota que o setor já é sobretudo exportador. “No nosso caso, na António Rosa, exportamos 98% da produção, mas ainda somos uma empresa pequena”, pelo que o fortalecimento da imagem de uma cerâmica portuguesa de qualidade será um contributo importante para manter as empresas do setor numa rota de crescimento.
Além disso, a empresária acredita que este projeto será um abrir de portas para uma maior cooperação no setor. “Há um pouco de medo de partilhar experiências uns com os outros, mas a pandemia mostrou que sozinhos não vamos longe, é preciso que o setor se una e trabalhe em conjunto”, considera. ■

 

Entidade quer aumentar

a perceção da cerâmica

portuguesa como um

produto de qualidade