Caldas ainda escapa à especulação do preço da habitação

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Afirmação como destino turístico tem inflacionado preços da habitação na região, mas na cidade das Caldas estes continuam moderados, apesar de também se terem vindo a registar aumentos

A evolução dos preços no mercado imobiliário no Oeste tem sido inflacionada, nos últimos anos, pela crescente procura turística da região. Esta é uma realidade que se pode aferir nos portais online de imobiliário. Os preços já são proibitivos nos locais de maior cariz turístico, como é, por exemplo o centro da Nazaré, mas também várias localizações no concelho de Óbidos e também de Peniche, sobretudo no mercado de imóveis mais recentes.
Tendo por referência um apartamento em tipologia T3, com cerca de 100 m2 de área útil, os preços facilmente ultrapassam os 200 mil euros. Na Nazaré, os preços escalam mesmo acima da fasquia dos 300 mil euros.
Se esta valorização é positiva, pelo facto de a região estar com bons níveis de procura, até para fixação de cidadãos estrangeiros com algum poder económico, por outro causa dificuldades à população local na aquisição, e também no arrendamento de habitação. Um fenómeno que levou à desertificação de população residente alguns bairros carismáticos de Lisboa e que pode estar a chegar à região.
Porém, Caldas da Rainha continua um pouco à margem deste fenómeno. Os números do INE mostram haver uma tendência de subida, mas esta prende-se, pelo menos por enquanto, por haver escassez de oferta no mercado para a procura, explica Luís Gomes, agente imobiliário e empresário de contrução.
“Caldas é uma cidade excelente para viver, está próxima de Lisboa, tem bons acessos e transporte. Há muita gente a morar nas Caldas e a trabalhar na capital”, explica.
O concelho também tem uma elevada procura de estrangeiros a requerer residência, mas estes ainda preferem a pacatez das freguesias rurais, ou junto à costa.
“É um concelho acolhedor, bonito, tem campo, cidade e praia, mas preços mais acessíveis do que, por exemplo, o Algarve ou zona de Cascais”, sustenta Luís Gomes.
Segundo o agente imobiliário, também o mercado do arrendamento tem vindo a sofrer aumentos “perigosos” devido à escassez de oferta. Preços que Luís Gomes diz não poderem subir muito mais. A nível dos apartamentos, tanto no arrendamento, subida porque havia falta e lei da oferta procura, e também os bancos. “As pessoas não estão a conseguir comprar, porque os critérios da banca estão muito apertados, por isso têm que se virar para o arrendamento e os proprietários estão a subir as rendas”, descreve. “Isso pode dar problemas a médio longo prazo porque, entretanto, as pessoas não têm dinheiro para pagar a renda, nem para comprar casa”, alerta, defendendo que deveriam ser criados mecanismos de controlo.
Segundo o INE, Caldas da Rainha teve o valor médio dos prédios transacionados inferior a concelhos como Óbidos, Nazaré e Lourinhã, mas superiores a concelhos cujas principais localidades se encontram no interior, como Alcobaça, Bombarral ou Cadaval. O mesmo acontece com os valores medianos do metro quadrado nas vendas.
No entanto, estes valores têm vindo a subir nos últimos anos. O valor médio das transações subiu quase 12% em 2019, enquanto o valor do m2 subiu, em 2020, acima dos 15%. Já o valor do m2 no arrendamento estabilizou no ano passado, depois de subir 14,3% em 2019. ■