
Lurdes Pequicho
Educadora de Infância
Muitos de nós já ouvimos ou já dissemos ao nosso filho/a “És sempre a mesma coisa”. Esta frase é dita como um julgamento a alguma coisa que a criança/jovem fez e que nós reprovamos e quando o dizemos nem nos apercebemos do impacto negativo que este tipo de frase pode ter na autoestima de uma criança.
Estamos a dizer-lhes, sem querermos, que não são suficientes, que por mais que tentemos, por mais que tentem, são sempre a mesma coisa. Neste sentido, a criança vai pensar que se é sempre a mesma coisa não vale a pena tentar, porque não consegue alcançar as expetativas dos pais. A autoestima das crianças é construída pela visão que tem da forma como a olham e por isso, os sinais externos são imprescindíveis para esta formação.
Considero que existem 3 pilares que sustentam uma autoestima saudável: a aceitação, a autoconfiança e a pertença. Se nós nos aceitarmos como somos e tivermos uma boa relação connosco próprios, se confiarmos em nós e nas nossas capacidades e se nos sentirmos merecedores de amor, pertencentes a diversos grupos que valorizamos, temos uma autoestima saudável.
O exemplo que damos aos nossos filhos, como em tudo, é essencial e na autoestima não é diferente. Eu aceito-me como sou? Vocês pais aceitam-se como são? É a vocês que os vossos filhos estão a ver a toda a hora, cada gesto, cada frase. Aceitamos os nossos filhos como são? Ou queremos moldá-los à nossa semelhança?
Eu confio nas minhas competências nas mais variadas situações? Confio nas capacidades do meu filho/a? Para ajudar a desenvolver a autoconfiança das nossas crianças devemos dar-lhe tarefas para fazerem e orientá-los, não fazer por eles.
Assim ganham autonomia e confiam que são capazes.
O sentimento de pertença está inerente a todos nós, todos nós queremos pertencer a um grupo com o qual nos identificamos: a família, os amigos, o clube de futebol… As crianças/jovens precisam dessa conexão, umas mais que outras naturalmente. A presença, um abraço, um “amo-te” é muito bom para o
ego e para a autoestima, porque percebemos que aquelas pessoas estão lá para nós. Faz uma reflexão sobre frases e atitudes que costumas ter com o teu filho/a e percebe se estimulam a construção de uma autoestima saudável. Se perceberes que podes fazer melhor, fá-lo pela felicidade do teu filho/a e lembra-te: sê o exemplo. Aceita-te como és, confia nas tuas capacidades e está presente na vida do teu filho/a.
Com Amor!









