Haja saúde!

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Rara é a semana em que não há abaixo-assinados, manifestações ou protestos sobre a falta de médicos de família em Extensões de Saúde ou Centros de Saúde da região.
O fenómeno não é recente, nem exclusivo do Oeste, mas agudizou-se na pandemia e deve preocupar todos aqueles que têm responsabilidades políticas e cívicas.
Tirando raríssimas exceções, os cuidados de saúde praticados na região são uma verdadeira dor de cabeça. Para quem gere o setor da saúde e, certamente, dará o seu melhor para resolver os problemas, mas sobretudo para os utentes do SNS, que sofrem na pele as agruras da constante falta de médicos e o adiamento de cirurgias ou atos médicos relevantes.
O Estado tem, e não é de agora, um problema grave para resolver: o da formação de médicos. E só talvez isso atenue, junto da opinião pública, o efeito das declarações de Manuel Heitor sobre a abertura de novas escolas de Medicina e, sobretudo, relativamente ao número de anos necessários para a formação de médicos de medicina geral, que o ministro do Ensino Superior, admite ser inferior ao de outras especialidades.
Enquanto o setor entra em ebulição e o corporativismo se envaidece em exigências de pedidos de desculpa ao ministro, é a população, sobretudo a mais desfavorecida e sem capacidade financeira (ou mobilidade) para recorrer à saúde privada, que mais sofre. Porque o médico de família se aposentou, ausentou ou entrou de férias e não foi substituído. Porque aquela cirurgia passou para as calendas…
Aos cidadãos cabe esperar por boas novas de um setor em constante convulsão. Talvez por isso seja caso para dizer: haja saúde! Que o resto logo se vê. ■