Autárquicas: Longos ciclos do PSD nas Caldas da Rainha e Óbidos em discussão

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As eleições autárquicas do próximo domingo apresentam muitos motivos de interesse. Os longos ciclos do PSD nas Caldas da Rainha, em Óbidos e em Alcobaça estão em discussão neste ato eleitoral. Mas há grande expetativa noutros concelhos

Quase 200 mil eleitores dos concelhos do Oeste Norte são chamados às urnas no próximo domingo para as eleições autárquicas mais disputadas das últimas décadas. A campanha só termina amanhã, mas as movimentações há muito que se sucedem, em especial nos concelhos onde há maior expetativa. Nas Caldas da Rainha e em Óbidos, onde há sete candidatos, nunca houve tantas listas concorrentes, sendo este mais um dado para ter em conta na análise deste ato eleitoral.
Os longos ciclos do PSD nas Caldas da Rainha (35 anos), Alcobaça (24 anos), Óbidos (20 anos) e Cadaval (20 anos) estão em análise nestas eleições, sendo certo que haverá novos presidentes eleitos, pelo menos, em duas destas Câmaras, dado que Paulo Inácio (Alcobaça) e Humberto Marques (Óbidos), embora por razões distintas, estejam de saída de funções.

Alcobaça é o concelho do Oeste Norte com maior número de eleitores recenseados

Nas Caldas, onde só o CDS-PP, no mandato 1982-85, conseguiu destronar o PSD, o surgimento do movimento Vamos Mudar promete agitar as águas, mas o PS pretende consolidar a subida de votação de há quatro anos, enquanto a coligação Caldas Mais Rainha pretende “recuperar” o vereador perdido há quatro anos pelo CDS-PP.
O Chega concorre pela primeira vez no concelho, enquanto CDU e BE tentam ganhar uma voz na Câmara para além da que exibem na Assembleia Municipal.
Em Óbidos, o PSD tem somado triunfos desde 2001, mas o PS aposta forte para tentar recuperar um antigo bastião num concelho que tem o Chega como uma das novidades, tal como a coligação O Nosso Partido é Óbidos, embora neste caso com um candidato que concorreu pelo CDS-PP em 2017.

Foram divulgadas duas sondagens na região, que indicavam vitórias de PSD em Alcobaça e PS na Nazaré

Num concelho com um número recorde de candidaturas, CDU e BE ambicionam um lugar na vereação, sendo certo que, a partir de segunda-feira, embora a tomada de posse ainda não esteja marcada, se abre um novo ciclo político na autarquia.
Além destes dois concelhos, a expetativa é grande noutros municípios da região. Nomeadamente no Bombarral, que há quatro anos passou para as mãos do PS, e em Peniche, onde o Grupo de Cidadãos Eleitores por Peniche se tornou, em 2017, no primeiro movimento de independentes a conquistar uma Câmara do distrito de Leiria.
A menos que existam grandes surpresas, o PS é favorito a preservar a Lourinhã, onde venceu todas as eleições autárquicas desde 1976, e também a Nazaré, onde a única sondagem conhecida, e divulgada pelo Jornal de Leiria, colocava os socialistas à beira de chegar aos seis vereadores, embora com a CDU à espreita de chegar ao executivo pela primeira vez desde 1985.
No que toca a sondagens, também Alcobaça teve direito a um estudo de opinião, igualmente publicado pelo Jornal de Leiria, que indicava a vitória para o PSD, o PS a subir a votação, mas a ficar-se pelos dois vereadores, e o Nós, Cidadãos a eleger um elemento para o executivo.

Caldas tem o maior número de estrangeiros inscritos nos cadernos eleitorais

Segundo a última atualização dos cadernos eleitorais da Administração Eleitoral da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, Alcobaça é o concelho do Oeste Norte com maior número de eleitores (48.605), à frente das Caldas da Rainha (45.524). Seguem-se Peniche (24.331) e Lourinhã (23.260), que apresentam números muito superiores aos restantes concelhos da região: Nazaré (14.217), Cadaval (11.944), Bombarral (11.208) e Óbidos (10.563).
Por outro lado, Caldas da Rainha é, de longe, o concelho da região com maior número de estrangeiros recenseados (415 eleitores), quase duplicando o total de estrangeiros inscritos nos cadernos eleitorais nos restantes sete municípios do Oeste Norte (281).

Polémica com propaganda
Campanha eleitoral que se preze tem de ter “casos” e nas Caldas o último foi protagonizado pelo BE, que apresentou uma queixa na Comissão Nacional de Eleições (CNE) referente ao material de propaganda da candidatura autárquica do PSD.
O Bloco diz ter sido “surpreendida com a divulgação de materiais de propaganda” com fotografias de trabalhos realizados pelos órgãos autárquicos, que “resultaram da aplicação de meios tecnológicos, humanos e financeiros da autarquia previamente ao período eleitoral”. O material anunciava que o PSD apresenta “uma versão resumida” das “iniciativas e obras” do executivo, prática que “rompe os princípios da igualdade de oportunidades entre as candidaturas e da neutralidade das entidades públicas”. “O candidato Tinta Ferreira, demonstra assim a sua incapacidade em estabelecer uma estrita separação entre o exercício do cargo de presidente e o seu estatuto de candidato, procurando desta forma obter vantagens eleitorais ilegítimas”, sublinha a candidatura de Carlos Ubaldo.
Contactado pela Gazeta, o PSD assegura não ter sido notificado pela CNE “da existência de qualquer queixa” e assegurou que “o teor da suposta queixa não tem qualquer fundamento legal que indique qualquer conduta menos própria por parte da candidatura”.
Os social-democratas explicam que as fotografias das obras e dos trabalhos realizados, constantes dos materiais de divulgação, “foram feitas por elementos do PSD com os seus equipamentos pessoais, para serem utilizados nesta campanha” e que a divulgação por parte da candidatura das obras e trabalhos feitos ao longo do mandato “é um exercício lícito que em nada fere princípios da igualdade de oportunidades entre as candidaturas e da neutralidade das entidades públicas”. ■