Deputadas do PS na Escola Secundária Bordalo Pinheiro para verem o sucesso do ensino profissional

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FotoDirectoraCentro copyAs deputadas do PS, Odete João, Susana Antunes e Maria Augusta Santos, estiveram na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, no passado dia 5 de Abril, para ver um caso de sucesso ao nível da formação profissional. Actualmente mais de metade dos alunos que frequentam aquela escola estão em cursos profissionais e as vagas existentes não chegam para a procura.
Mas nem tudo são rosas. O financiamento de apoio a estes cursos ainda não chegou e há alunos sem possibilidades para pagar, por exemplo, o transporte.
As deputadas dizem que o processo está atrasado pois estava mal estruturado pelo governo anterior e deixaram a garantia de que para o ano as situações serão programadas com tempo e estes atrasos não se irão verificar.
Na sala de mecânica as deputadas socialistas depararam-se com a falta de espaço para os alunos poderem trabalhar, resultado da muita procura por este curso profissional. É frequentado por 60 alunos nos três anos de escolaridade (10º, 11º e 12º) e só no ano passado tiveram 50 inscrições para uma turma de 26.
Mas este não é caso isolado. O curso de desporto teve 70 pré-inscritos para abrir uma turma. Números que mostram que o ensino profissional deixou de ser uma escolha de última linha para ser, em grande parte dos casos, uma primeira opção dos jovens que querem ter um contacto mais imediato com o mundo do trabalho.
De acordo com a directora do agrupamento, Maria do Céu Santos,  os cursos profissionais na Bordalo Pinheiro começaram em 2007 e no ano seguinte já metade dos alunos frequentavam este tipo de ensino. “Actualmente já temos mais 50 alunos no ensino profissional do que no regular”, disse, acrescentando que este ensino está na génese da escola, que foi a primeira  de ensino profissional existente no país, criada por Bordalo Pinheiro.
A aposta da escola é agora continuar a apostar na qualidade deste tipo de ensino. Mas também há constrangimentos, sobretudo de ordem financeira. Maria do Céu Santos alertou as deputadas para o facto de ainda não terem recebido o financiamento devido para a formação profissional, o que está a gerar grandes dificuldades aos alunos, sobretudo no que respeita ao pagamento do transporte. O projecto, no valor de dois milhões de euros, para apoio aos cursos profissionais foi aprovado, mas ainda não chegou qualquer verba.
Muitos dos jovens são oriundos dos concelhos limítrofes, como Rio Maior, Alcobaça, Cadaval e Peniche, e os passes chegam a custar 120 euros. Alguns não têm possibilidades de os pagar e a escola tem tentado apoiar, disse a directora, acrescentando que já têm dívidas na Rodoviária e outras transportadoras.
Menos alunos por turma no futuro
A deputada eleita por Leiria, Odete João, reconheceu que este ano existem atrasos. “O governo começou por dar prioridade ao ensino artístico especializado e depois ao profissional, mas ainda há situações por resolver”, disse, recordando que a equipa da Educação encontrou uma situação “muito complicada” naquele ministério. Prometeu que para o ano as situações serão programadas com tempo e estes atrasos não se irão verificar.
Susana Antunes, também deputada na Assembleia da República, respondeu a algumas das questões levantadas pelos coordenadores dos cursos profissionais, como foi o caso do número de alunos por turma – que os professores consideram excessivo e tem gerado grande contestação nas escolas – informando que será feita uma redução progressiva e equilibrada.
Fernando Xavier, da direcção da Cooperativa Editorial Caldense, falou da parceria profícua que tem existido entre as duas instituições, realçando o trabalho feito pelos alunos da escola, sob orientação da professora Maria José Rocha, aquando das celebrações dos 90 anos da Gazeta das Caldas. “É de realçar a completa disponibilidade da escola em interagir com a sociedade civil”, disse o responsável que fez questão de referir que foi ele próprio aluno desta escola. Uma escola, disse, que alimentou durante muitos anos  os quadros das empresas industriais e de serviços das Caldas.
Também o empresário Jorge Magalhães é de opinião que a escola tem sido um “agente dinamizador” da sociedade caldense e partilhou a sua experiência, na realização do Festival do Cavalo Lusitano, onde tem contado com a participação de dezenas de alunos das áreas técnicas de programação, audiovisual, luz e som.
PS disposto a rever constituição do Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro
A deputada Odete João deixou a garantia de que irão voltar a fazer o levantamento do processo de constituição do Agrupamento de Escolas Rafael Bordalo Pinheiro e que o farão chegar ao Ministério da Educação. A informação foi prestada depois da presidente do Conselho Geral, Manuela Silva, ter recordado que o agrupamento criado em 2012 com a agregação das escolas Rafael Bordalo Pinheiro e de Santa Catarina é “absurdo” e feito contra a vontade de todos.
A Bordalo foi obrigada a agrupar com outra escola situada a cerca de 20 quilómetros de distância, enquanto que a Escola D. João II é mesmo ao lado, estando apenas separada por uma rede. No entanto, esta última  ficou sem agrupar.
“Para o 10º ano vieram 14 alunos de Santa Catarina e 92 da D. João II”, disse a também docente, explicando que os alunos de Santa Catarina vão preferencialmente para a Benedita, que fica apenas a três quilómetros.
Manuela Silva especifica que o agrupamento funciona, mas que isso obriga a um esforço muito maior porque a gestão ideal é a de proximidade e, neste caso, tal não é possível. “Sei que esse esforço é feito e agrupando com a D. João II seria uma gestão muito mais facilitada e de encontro aos objectivos de uma escola”, disse a responsável, que diz que a situação vivida é a de “uma agregação de escolas e não um agrupamento”.
A presidente do Conselho Geral do agrupamento entregou ainda às parlamentares  o abaixo assinado feito pela comunidade educativa daquela escola, em 2012, onde sustentam o seu desacordo com este agrupamento. O documento refere que já existe uma “longa tradição de cooperação e de estabelecimento de parcerias” entre a Bordalo e a D. João II e contesta o argumento da “preservação da unidade do concelho” evocado na altura da pela Câmara. “Hoje em dia as dinâmicas sociais e territoriais têm configurações e geografias que vão muito além dos limites administrativos”, refere o documento, assinado por todos os professores e funcionários (com excepção do então director António Veiga e de uma funcionária), para quem “o limite do concelho não é a escala decisiva para se garantir a qualidade dos serviços públicos da Saúde, da Cultura, do Desporto e da …Educação”
Maria do Céu Santos é directora do agrupamento há dois anos e mostra-se satisfeita com a dinâmica que conseguiu imprimir, juntamente com a sua equipa. Um dos seus maiores desafios foi a abertura da escola à comunidade, facto que se tem mostrado uma realidade, com a colaboração em diversos eventos nas Caldas. Por outro lado, havia também “muita crispação com as outras escolas, que se dissipou, e tem havido um bom relacionamento entre todos”, releva a directora que diz gostar de trabalhar em parceria.
Maria do Céu Santos reconhece que o desafio difícil de concretizar é o de espírito de agrupamento entre as escolas Bordalo Pinheiro e de Santa Catarina. Acredita que com só o tempo será possível, mas fala dos constrangimentos de ordem prática, como a realização dos horários para os professores nas duas escolas, ou das deslocações, em que têm que pedir autocarros à Câmara, dada a distância.
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